Em 107 anos de comemoração do Dia Internacional das Mulheres, Manaus, ao longo dos seus 354 anos de história, nunca foi governada por uma mulher. Marilene Corrêa da Silva Freitas, socióloga da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), destaca em entrevista ao RealTime1 três desafios principais para mudar esse cenário: barreiras econômicas, preconceitos de gênero e barreiras ideológicas partidárias.
Marilene Corrêa detalha os obstáculos enfrentados por mulheres na política, incluindo menor apoio financeiro, preconceito de gênero entre os eleitores, e um cenário político que exige das mulheres defender suas próprias causas, mesmo dentro de seus partidos. Ela enfatiza a importância de superar esses desafios para alcançar uma governança mais inclusiva em Manaus e, assim, evitar uma sub-representação.
“A sub-representação das mulheres na política é evidente em Manaus, com lideranças femininas de diversas comunidades lutando por apoio proporcional. Esse cenário limita a defesa de políticas públicas essenciais, como moradia popular e saúde, afetando negativamente a população“, explica a socióloga.
Secretarias do município expõem lacunas
Sob a gestão de David Almeida (Avante), apenas três mulheres foram nomeadas para cargos de destaque nas secretarias em 2021, com somente duas permanecendo até o momento: a de Educação, que por sinal é irmã do prefeito, Dulce Almeida, e a de Saúde, Shádia Fraxe. Isso destaca a escassez de representação feminina em posições de liderança na administração municipal.
Representatividade feminina na Câmara Municipal de Manaus
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) possui uma longa história de baixa representatividade feminina, sem nenhuma mulher tendo ocupado o cargo de presidente.
A participação feminina na CMM começou com Léa Alencar Antony em 1964-1969 e tem crescido gradualmente, alcançando um pico na 15ª legislatura com sete mulheres vereadoras.
Apesar dos avanços, a presença feminina na Câmara Municipal de Manaus ainda está longe de ser equitativa. Em média, apenas três mulheres são eleitas para a casa legislativa, representando menos de 8% das vagas dispostas nas eleições.

Promovendo participação feminina na política local
As vereadoras Professora Jacqueline (União Brasil) e Thaysa Lippy (Progressistas) discutem a importância de ampliar a participação feminina na política, enfrentando estereótipos e promovendo políticas públicas formuladas por mulheres.
A legislação que estabelece um mínimo de 30% de candidaturas femininas nas eleições é vista como um avanço, mas ainda insuficiente para elas.
“Acredito que a mulher tem uma visão mais ampliada da sociedade e é mais afeita ao diálogo, além de ter maior conhecimento de causa sobre pautas femininas, das crianças, dos idosos. Acredito que a política precisa e deve ser assunto de mulher“, defende Thaysa.
“Precisamos fazer mais campanhas massificada de conscientização para desconstruir a ideia de que mulher não serve para estar no parlamento. Todos os dias a gente faz política dentro de casa, na rua, dentro do ônibus. As políticas públicas, se forem para as mulheres, têm de ser construídas por elas“, completou Jaqueline.
Iniciativas legislativas em benefício das mulheres
Thaysa Lippy e Professora Jacqueline têm trabalhado ativamente para promover o bem-estar das mulheres, crianças autistas e idosos, apresentando várias propostas legislativas que se tornaram leis. Suas ações visam garantir a igualdade de gênero e os direitos das mulheres em vários aspectos da vida pública e privada.
O RealTime1 tentou contato com as vereadoras Glória Carratte (PL) e Yomara Lins (PRTB) por meio de seus números de telefone pessoal e, ainda, por meio das assessorias de comunicação, para que elas falassem sobre a temática feminina no universo político manauara, mas nenhuma resposta foi dada até o fechamento desta matéria.
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