O empresário Denis Minev, CEO do Grupo Bemol e enviado especial à COP30, em Belém (PA), representando o setor privado da Amazônia, afirmou que o Brasil é plenamente capaz de pavimentar a BR-319 sem causar desmatamento, desde que haja planejamento e gestão territorial adequados.
Minev emitiu sua opinião ao ser questionado pelo RealTime1, durante evento sobre bioeconomia, do qual participou como palestrante, na sede da Suframa.
A rodovia federal, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), não sai do centro do debate público devido à polêmica entre os riscos ambientais associados ao avanço das obras e a necessidade de pavimentação para tirar a capital amazonense do isolamento.
“Eu acho que é perfeitamente possível o Brasil construir uma estrada que não cause desmatamento. Não existe nada de errado na nossa capacidade gestora que impeça que façamos isso com competência e mantendo a gestão territorial”, declarou Minev.
A BR-319, inaugurada na década de 1970, tem cerca de 870 quilômetros e corta uma das áreas mais preservadas da floresta amazônica.
A proposta de pavimentação divide opiniões: de um lado, há quem defenda o projeto como instrumento de integração econômica e redução de custos logísticos; de outro, pesquisadores e ambientalistas alertam para o risco de expansão descontrolada de desmatamento e grilagem, sobretudo nos trechos centrais da rodovia.
Minev aponta contradições
Minev destacou a necessidade de corrigir contradições nas políticas federais que afetam a região. “O Ibama, ao mesmo tempo que não quer autorizar uma BR, não se incomoda com assentamentos no meio da floresta. Isso é maluquice. São contradições que precisamos debater e consertar”, afirmou, criticando a criação de assentamentos do INCRA em áreas sensíveis.
O empresário enfatizou que a pavimentação da BR-319 é consenso entre os amazonenses, mas precisa ocorrer dentro de um modelo de desenvolvimento sustentável.
“Nós não temos incompetência inerente em nós. O que existe são contradições e decisões equivocadas que precisam ser corrigidas”, completou.
A posição de Minev surge em um momento em que o governo federal, mesmo diante de críticas de organizações ambientais, reafirma a intenção de concluir a pavimentação.
O projeto é considerado estratégico para o escoamento de produtos da Zona Franca de Manaus e para a integração da Amazônia ao restante do país, mas especialistas alertam que o desmatamento associado à estrada pode ultrapassar 5,7 milhões de hectares até 2070, caso faltem mecanismos eficazes de controle.
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