quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Passagem de ônibus em Manaus aumentará para R$ 4,50

Alta de 18,42% no preço da passagem de ônibus, que entra em vigor no domingo (21), será para cobrir salário dos rodoviários.
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(Foto: Marcio James/Semcom)

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou nesta sexta-feira (19) que, a partir de domingo (21), a tarifa do transporte coletivo será reajustada dos atuais R$ 3,80 para R$ 4,50.

É o primeiro reajuste desde fevereiro de 2017. Representa uma alta de 18,42%, abaixo da inflação (IPCA) acumulada do período, que soma 38,72%. O reajuste não afetará o Passe Livre Estudantil.

O aumento no preço da passagem atende ao pleito dos trabalhadores do sistema de transporte coletivo de reajuste salarial.

O prefeito afirmou que esse será o único aumento da tarifa na sua atual gestão, que encerra em 2024.

Ameaça de greve nos ônibus

A categoria dos trabalhadores do transporte coletivo de Manaus chegou a programar uma greve para pressionar pela atualização dos valores dos salários.

Os rodoviários pediam 12% de aumento, mas aceitaram a proposta da prefeitura de que as empresas reponham a inflação (IPCA) acumulada dos últimos 12 meses, ou seja, 4,18%.

As empresas já afirmavam que o Município não poderia mais arcar sozinho com os novos custos e que eles deveriam ser repassados aos usuários.

Volume do subsídio

Em entrevista coletiva nesta manhã, o prefeito David Almeida disse que o reajuste era necessário, uma vez que o subsídio bancado pelo município chegou à casa dos R$ 400 milhões/ano, o que torna insustentável que seja aumentado.

“Se tivéssemos esses recursos em caixa, eu tenho certeza que só esse ano nós asfaltaríamos mais de 4 a 5 mil ruas. Faríamos mais oito viadutos e passagens de nível”, exemplificou.

O prefeito disse que hoje o valor gasto com o subsídio só é menor que os orçamentos da Saúde e Educação. “É maior que o orçamento da Secretaria de Infraestrutura (Seminf)”, destacou.

Ele apontou uma queda de R$ 52 milhões de repasses do ICMS aos cofres municipais neste ano, o que fragilizou a capacidade financeira da prefeitura.

Caso cobrisse os 4,18% aprovados para o aumento no salário dos rodoviários e os 5% concedidos ao vale alimentação da categoria, a prefeitura teria que arcar com mais de meio bilhão por ano.

“A passagem hoje é R$ 3,80. Desses, R$ 3,72 é o que a prefeitura paga por passageiro no transporte coletivo. A prefeitura não tem mais como manter. Vou ter dificuldade de pagar a data-base dos meus servidores, de honrar meus compromissos, porque o transporte coletivo se tornou a segunda maior despesa da prefeitura. A primeira é a dívida, mas já passou o asfalto e até a coleta de lixo. Então, não temos mais como manter da forma que está concedendo o aumento [aos rodoviários]. Se fosse continuar do jeito que está, nós teríamos que desembolsar R$ 550 milhões até o final do ano e nós não temos essa condição”, disse.

Queda de passageiros

David Almeida apontou ainda que, desde 2017, o volume de passageiros por mês no sistema caiu de 23 milhões para 11 milhões.

“O custo sistema vai continuar aumentado, porém o número de passageiros acaba diminuindo. Isso tem causado problema”, resumiu.

O prefeito admitiu que será preciso melhorar a qualidade do serviço para atrair os usuários.

Tarifa/subsídio

A tarifa técnica é de R$ 7,52, dos quais R$ 3,80 são pagos hoje pelo usuário e R$ 3,72 pela prefeitura.

Com o reajuste que entrará em vigor no domingo, o usuário passará a pagar R$ 4,50 pela passagem e a prefeitura entrará com R$ 3,02 de subsídio.

Hoje, a tarifa de Manaus é a segunda mais barata entre as capitais brasileiras. Com o reajuste, cairá para a 10ª posição.

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