O representante comercial Cristiano Carvalho, apontado como representante legal da Davati Medical Suplly no Brasil, revelou, durante depoimento dele na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, nesta quinta-feira (15), que não era o único vendedor credenciado pela empresa norte-americana para negociar medicamentos e insumos com o Ministério da Saúde.
“Eu não era o único, tenho aqui um processo de compra de vacinas feitas por um advogado, Júlio Adriano Caron e Silva, em nome da Davati feito diretamente com o ex-ministro Eduardo Pazuello”, contou Cristiano.
Ele também apresentou a cópia de um processo de compra que consta no portal de transparência do ministério, mas cujos detalhes estão fechados por suposta ação da Controladoria Geral da União. Cristiano afirmou que não conhecia Júlio Adriano e não sabia que ele negociava em nome da Davati.
Diferença entre Pfizer e Davati
A revelação surpreendeu os senadores que não conheciam essa compra feita pelo ministério. Para o senador Humberto Costa (PT-PE), as revelações de Cristiano durante o depoimento desta quinta-feira mostram o despreparado do governo para enfrentar a pandemia. “Essas pessoas não sabiam diferenciar empresas como a Pfizer e a Davati, que é claramente uma pilantra”, afirmou Humberto Costa.
A falta de seriedade da Davati e o fato dela ter conseguido negociar com a alta cúpula do ministério é a prova do “desgoverno” na área da saúde, disse o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “O governo, na pessoa do senhor Élcio Franco (ex-secretário-executivo da pasta), ignorou a Pfizer, o Butantan, mas foi rápido para tentar cair nesse golpe da Davati, numa clara operação Tabajara”, disse Randolfe, que pediu para a assessoria pesquisar o processo de compra de medicamentos e insumos intermediado por Júlio Adriano Caron e Silva.
Texto: Gerson Severo Dantas
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