sexta-feira, 25 de setembro de 2026
DANOS À ECONOMIA

Custo com problemas relacionados ao tabagismo supera arrecadação de impostos do setor

Pesquisa revela que a maior parte dos gastos nacionais relacionados ao tabagismo foi destinada à assistência médica, somando R$ 67,2 bilhões do SUS.
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O tabagismo é responsável por quase 50 doenças incapacitantes e fatais (Foto: Reprodução/Canva)
O tabagismo é responsável por quase 50 doenças incapacitantes e fatais (Foto: Reprodução/Canva)

Em 2022, o Brasil gastou R$ 153,5 bilhões com despesas médicas e perda de produtividade causadas pelo uso do tabaco, o que equivale a 1,55% do PIB do país. Em contrapartida, a arrecadação de impostos federais sobre a indústria do tabaco não chegou a R$ 9 bilhões no mesmo ano.

O tabagismo é responsável por quase 50 doenças incapacitantes e fatais, conforme o Ministério da Saúde. Além dos danos à saúde, o hábito de fumar gera um enorme custo econômico.

Esses dados são da pesquisa “Carga da Doença e Econômica Atribuível ao Tabagismo no Brasil e Potencial Impacto do Aumento de Preços por Meio de Imposto”, coordenada pela Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco e de seus Protocolos (Conicq) e divulgada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O estudo contou com o apoio do INCA, Fiocruz e Instituto de Efectividad Clínica y Sanitaria da Argentina.

A pesquisa revela que a maior parte dos gastos nacionais relacionados ao tabagismo foi destinada à assistência médica, somando R$ 67,2 bilhões do SUS, especialmente para doenças respiratórias, cardíacas e AVC. Os tratamentos de câncer, como esôfago, boca e faringe, também demandaram altos investimentos.

Além disso, mortes prematuras e incapacidades causadas pelo tabagismo impactam a força de trabalho, gerando uma perda indireta de R$ 45 bilhões em 2022. A perda de produtividade dos cuidadores informais contribuiu com mais R$ 41,3 bilhões.

Vera Luiza da Costa e Silva, secretária executiva da Conicq, destaca que o tabagismo traz mais perdas do que ganhos financeiros para o país. “O argumento de que a venda legal de tabaco gera arrecadação é uma falácia”, afirma.

O tabagismo passivo também é alarmante, sendo responsável por 12% das mortes prematuras relacionadas ao tabaco no Brasil. Globalmente, são atribuídas 603 mil mortes anuais ao tabagismo passivo, das quais 168.840 são de crianças.

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