A aposta do prefeito David Almeida (Avante) em um empréstimo internacional de US$ 195 milhões, equivalente a mais de R$ 1 bilhão, pode naufragar mesmo tendo a aprovação por parte da Câmara Municipal de Manaus, nesta quarta-feira (10/12), em regime de urgência.
Em meio à crise política que ele próprio criou, com ataques recentes a antigos aliados e acusações infundadas, o prefeito corre o risco de não obter o apoio necessário para o empréstimo.
Trâmite na Câmara é apenas o início, e não garante nada
Mesmo que a base do prefeito aprove o pedido de empréstimo, isso não assegura a chegada do dinheiro.
No caso de créditos junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), a etapa municipal é apenas um passo burocrático: a Câmara não tem poder para assegurar a operação.
Depois da votação em Manaus, o processo segue para:
1️⃣ Ministério da Fazenda / Secretaria do Tesouro Nacional
Avalia capacidade de pagamento e impacto sobre a dívida da União
2️⃣ Casa Civil da Presidência da República
Pode devolver o pedido, exigir mais informações ou simplesmente não priorizar
3️⃣ Senado Federal
Analisa o risco fiscal para o país e dá a palavra final
Ou seja: mesmo com autorização legislativa, nada avança sem o aval político do governo federal.
Prefeito isolado em Brasília
O momento político não ajuda. Em vez de articular apoio, David tem multiplicado conflitos dentro da própria base e entre atores federais.
O isolamento político do prefeito David Almeida, ao contrário de “perseguição interna” é efeito de sua própria estratégia de confronto com traição política aos acordos que passou o ano de 20025 dizendo que iria apoiar A ou B, gera agora um desconforto pra ele.
E, sem ambiente favorável, não há empréstimo internacional que avance.
Prazo joga contra David
Mesmo quando tudo corre bem, pedidos com o BIRD levam entre 18 e 24 meses para liberação das primeiras parcelas.
Com a instabilidade atual, o processo tende a ser ainda mais lento — e dificilmente produzirá efeitos antes de 2027.
Destino do dinheiro segue nebuloso
Outro ponto crítico é a falta de clareza sobre o uso dos recursos.
O BIRD não financia cobertura de rombos ou despesas genéricas. Sem projeto detalhado, o pedido tende a morrer no Tesouro Nacional.
O movimento do prefeito tem sido interpretado por fornecedores como uma tentativa de acenar positivamente para quem aguarda pagamentos atrasados. A Prefeitura acumula dívidas milionárias com mais de uma centena de empresas e, com o pedido de crédito externo, tenta transmitir a ideia de que “os compromissos serão honrados”.
O problema é que, sem a garantia de aprovação federal e sem detalhamento do uso dos recursos, o sinal pode soar como blefe: a promessa de que a conta será paga, quando, na prática, não há previsão de quando ou se esse dinheiro chegará.
Veja a mensagem do Executivo sobre o pedido, abaixo:
Mesmo com o alerta da oposição, a maioria da base aliada aprovou a inversão de pauta e a urgência, acelerando o caminho para a aprovação definitiva do empréstimo.
Manaus mais endividada
Com a iminente aprovação de um novo empréstimo para a gestão de David Almeida, Manaus caminha para mais um endividamento em larga escala, agora em dólar, sem garantias públicas de retorno em obras, serviços ou qualidade de vida.
Enquanto a dívida cresce, bairros seguem sofrendo com infraestrutura precária, unidades de saúde sobrecarregadas e problemas históricos de mobilidade, por exemplo.