quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Crescimento das apostas on-line movimenta R$ 103 bilhões e desafia o varejo brasileiro

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Pessoa utiliza smartphone para acessar aplicativo de apostas esportivas em ambiente com telas iluminadas ao fundo
Uso de aplicativos de apostas online pelo celular está no centro das novas regras de autoexclusão do governo

O mercado de apostas on-line movimentou R$ 103 bilhões no Brasil em 2024, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse volume expressivo de recursos direcionados para plataformas digitais impactou o setor de varejo, que deixou de faturar esse montante potencialmente destinado ao consumo de bens e serviços. Além disso, o estudo aponta que 1,8 milhão de brasileiros entraram em inadimplência ao comprometer parte de suas rendas com os jogos de aposta.

A CNC analisou o impacto econômico das apostas on-line sob dois cenários distintos. No primeiro, com gastos anuais de R$ 24 bilhões, as perdas estimadas incluem R$ 39 bilhões no faturamento total, R$ 19,5 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 2,1 bilhões na arrecadação tributária. Já no segundo cenário, com gastos de R$ 240 bilhões, o impacto é muito mais amplo, chegando a R$ 364 bilhões no faturamento, R$ 219 bilhões no PIB e R$ 14,5 bilhões em tributos não recolhidos.

De acordo com Felipe Tavares, economista-chefe da CNC, os efeitos das apostas on-line vão além do impacto financeiro imediato.

“Os dados mostram que essa prática interfere diretamente na capacidade do comércio varejista e de outros setores de se desenvolverem. A regulamentação, além de permitir uma arrecadação formal, pode mitigar os desvios prejudiciais gerados por essas atividades”, declarou.

O crescimento do mercado de apostas

O avanço das tecnologias digitais, aliado à popularização de smartphones e conexões de alta velocidade, transformou o mercado de apostas on-line em uma das principais formas de entretenimento no Brasil. Em 2022, o país ocupava o 10º lugar global em receitas brutas de jogos, somando US$ 1,5 bilhão, segundo dados da Entain, uma das maiores empresas de apostas esportivas on-line do Reino Unido.

A regulamentação parcial das apostas esportivas, iniciada em 2018 com a Lei 13.756/18, também contribuiu para estruturar o mercado e atrair um público mais amplo. As plataformas oferecem apostas esportivas, cassinos virtuais e outros jogos de azar, com transações financeiras facilitadas por tecnologias digitais e incentivos como bônus e promoções.

Em meio ao crescimento exponencial do mercado, o governo federal anunciou no dia 31 de dezembro de 2024, um novo marco regulatório para o setor. Desde 1º de janeiro de 2025, 66 empresas já estão autorizadas a operar sob o domínio bet.br. Desse total, 14 receberam licença definitiva, enquanto 52 possuem autorizações provisórias válidas por 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para regularizar pendências.

De acordo com o Ministério da Fazenda, as empresas autorizadas já atenderam a requisitos básicos, como o pagamento da outorga de R$ 30 milhões. No entanto, algumas ainda precisam apresentar documentos complementares, incluindo certificações dos sistemas de apostas e de integração das plataformas.

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