terça-feira, 22 de setembro de 2026

'COP30 será chance de mudar visão mundial sobre o agro do Amazonas', avalia Muni Lourenço

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Muni Lourenço (ao centro), presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA)

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço, avalia que a COP30, que será realizada em Belém em novembro de 2025, representa uma oportunidade estratégica para reposicionar a imagem do agronegócio amazônico no cenário internacional.

Segundo ele, o evento permitirá mostrar que a produção rural da região está comprometida com práticas sustentáveis e integradas à preservação ambiental.

“Estamos depositando uma grande expectativa na COP30, onde vamos ter uma participação muito ativa. Nossa visão é que a conferência será a chance de o mundo conhecer melhor o agro do Brasil e da Amazônia e perceber que o produtor rural brasileiro tem compromisso com a preservação e a sustentabilidade ambiental”, afirmou Lourenço em entrevista ao RealTime1.

Tecnologias de baixo carbono

Entre as iniciativas planejadas, ele destaca a realização da AgriZone, espaço inédito que funcionará como a “casa do agro brasileiro” dentro da COP30, sediada no Centro de Pesquisa da Embrapa Amazônia Oriental.

A proposta é apresentar tecnologias ligadas à agricultura de baixo carbono, já adotadas de norte a sul do país, com foco na conciliação entre produção de alimentos e conservação dos ecossistemas.

Muni reforça que a imagem do agronegócio como vilão da preservação ambiental não corresponde à realidade. “Essa narrativa é baseada em desinformação. Hoje, o Brasil preserva 66% do seu patrimônio vegetal nativo. Na Amazônia, 84% da floresta é intacta, e no Amazonas esse índice chega a 97%. Nenhum outro país do mundo tem esse patrimônio preservado como nós”, argumentou.

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Para ele, superar gargalos estruturais é parte essencial do avanço do setor. Ele cita dois entraves históricos no Amazonas: a regularização fundiária, que ainda deixa uma parcela expressiva de produtores sem o documento da terra e, consequentemente, sem segurança jurídica; e a regularização ambiental, que depende do avanço na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do zoneamento ecológico-econômico.

“Ninguém investe naquilo que não lhe pertence. Por isso, sempre defendemos que os governos priorizem programas de regularização fundiária no nosso estado. Ao mesmo tempo, é necessário acelerar a regularização ambiental, porque são pilares indispensáveis para a modernização do agronegócio”, destacou.

‘Contradição falsa’

O presidente da FAEA também rebate a ideia de que existe um antagonismo entre produção de alimentos e preservação. “É falsa essa contradição. Essas duas dimensões se integram perfeitamente, principalmente com as tecnologias já disponíveis, que permitem compatibilizar produção sustentável e conservação”, disse.

Na visão dele, a médio prazo, a disseminação de informações científicas contribuirá para reduzir barreiras externas e mudar a percepção global.

“O agro brasileiro chegou a um patamar de liderança mundial em vários alimentos. Isso desperta a reação de concorrentes que tentam impor obstáculos ao nosso crescimento. Mas acreditamos que a COP30 será uma oportunidade de mostrar ao mundo a realidade do nosso setor, que alia produtividade e responsabilidade ambiental”, concluiu.

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