Uma das frases mais famosas dos políticos é: “Ninguém é candidato de si mesmo” e indica que um candidato precisa de muitos apoios para chegar a ter o nome inscrito na chapa e depois buscar o êxito na eleição. Mas quem são os personagens principais por trás dos atuais candidatos a prefeito de Manaus?
O RealTime1 foi atrás destes personagens e analisou suas ações e impactos no trabalho do candidato, a começar pelo prefeito David Almeida (Avante), candidato à reeleição em 2024. Não há dúvidas na Câmara Municipal que o “homem” atual do prefeito é o secretário Municipal de Infraestrutura, Renato Júnior.
David Almeida
Renato entrou na gestão de David pelo posto de secretário Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (SEMACC), órgão que cuida entre outras coisas das Feiras e Mercados, setor de onde Renato é oriundo, pois a família dele é permissionária em uma feira.
No início da gestão de David, Renato fazia o meio campo com este setor e implantou a política de reforma das feiras, o que rendeu muitos elogios ao prefeito.
Na eleição do ano passado, o vice-prefeito Marcos Rotta deixou a Seminf para ser um dos possíveis indicados para o posto de vice de Wilson Lima indicado por David Almeida, posto que foi para Tadeu de Souza, amigo de infância de David, mas a vaga na Seminf serviu para Renato cresceu e aparecer.
Não há evento com David que Renato Júnior não esteja presente, bem como nas andanças de Renato pelas obras que a prefeitura toca que o nome de David Almeida não seja destacado nas conversas do secretário com os operários, como aconteceu recentemente na liberação de uma parte do viaduto José Fernandes.
O posto de um dos homens fortes de David Almeida fez alguns antigos membros da bancada de David na CMM bandearem para o grupo de oposição cuja face mais visível é o presidente da Casa, vereador Caio André (Podemos).
Amom Mandel
Segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, o deputado federal Amom Mandel (Cidadania) faz voo solo em público, mas quem o conhece diz que a grande influência sobre os planos políticos dele é exercida pelo avô, o desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, Domingos Chalub, e pelo padrasto e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Mário Melo.
Com o avô, Amom já chegou a divergir em público, quando por exemplo Chalub concedeu liminares beneficiando a gestão de David Almeida, mas tudo dentro dos limites da democracia e bem azeitado dentro da família.
Recentemente, Amom iniciou um processo de conversas com outros personagens, como o jornalista Paulo Castro e o senador Plínio Valério, presidente da Federação formada pelo PSDB e o Cidadania, partido de Amon.
A grande incógnita sobre o “homem” do Amom é saber quem está pagando toda a estrutura por trás dele, e que ainda não foi identificado.
Capitão Alberto Neto
Em outro polo da oposição, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) opera em parceria com um velho conhecido da política amazonense: Ex-prefeito, ex-senador, ex-ministro e ex-deputado federal Alfredo Nascimento, que preside o PL no Amazonas em sintonia fina com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
Alfredo opera em Brasília para colocar Alberto Neto numa chapa majoritária na eleição municipal do ano que vem, pois é o suplente dele e com uma eventual saída de Alberto do congresso, ele herdará a vaga e poderá voltar a ribalta do poder nacional, posto que exerceu nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff.
Essa mobilizações envolvendo Alfredo e Valdemar visam direcionar o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro para a chapa em que estiver Alberto Neto, o que necessariamente botaria para escanteio o ex-superintendente da Suframa e compadre de Bolsonaro, Alfredo Menezes.
Coronel Menezes
Menezes opera praticamente sozinho e continua garantindo que conta com o apoio de Bolsonaro, o que coloca o ex-presidente como o único “homem” da campanha, pois até partido Menezes não terá para disputar a eleição do próximo ano sem o aval do ex-presidente. Este, por sua vez, reluta em apoiar dois candidatos numa mesma praça (Menezes e Neto).
Roberto Cidade
Último a entrar no páreo da eleição municipal foi o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Roberto Cidade (União).
Roberto Cidade já tem o apoio da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a bancada de oposição ao prefeito David Almeida na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e o aval do governador de fazer essa jornada de pré-campanha e tentar se viabilizar.
Existe um prazo (até março de 2024) e um percentual de votos a ser atingido (de 10 a 15%). Caso ele atinja os limites que teriam sido cobrados, Wilson Lima – agora presidente do União Brasil no Amazonas – teria que ir com Cidade até o final. Caso contrário, uma outra saída precisaria ser encontrada.
E quem não tem um “homem”para chamar de seu?
Já a Federação Brasil Esperança, que reúne PT/PCdoB/PV, não tem sequer um candidato para procurar um “homem” para chamar de seu. Tem um “conselho” ao velho estilo Gilberto Mestrinho: “reúne, reúne e decidem muito pouco”.
Na semana final de novembro, por exemplo, a Federação articulou uma reunião ainda maior, dessa vez com a Federação PSOL-Rede, PSB e PDT, que juntos apresentaram um quadro com 12 candidatos, o que para políticos experimentados significa que quem tem 12 não tem nenhum candidato.
A pergunta que fica é: qual será o critério entre tantos candidatos à pré-candidatos para definição de quem tem mais chances de se eleger, uma pesquisa quantitativa ou qualitativa?