A percepção do brasileiro sobre sua situação financeira pessoal e estabilidade no emprego melhorou em outubro, “desvinculando-se” da visão sobre o cenário macroeconômico, que ficou estagnada. É o que mostra o último recorte do termômetro econômico da Ipsos.
Enquanto a avaliação da economia brasileira ficou estável (36,5% “Boa” vs 37,5% em Setembro), os indicadores pessoais, como a percepção sobre o emprego e o bolso, apresentaram melhora.
O principal destaque positivo foi o alívio na percepção de estabilidade no emprego. O “Grande Alerta” de setembro, quando o receio de perder o emprego vinha em tendência de alta (29,5%), foi interrompido, recuando para 26,1% em outubro. A melhora na estabilidade foi um “movimento duplo”: o recuo no receio futuro de perda de emprego foi puxado pelos mais velhos (50+ anos, -6,3 p.p.), enquanto a confiança no emprego atual foi impulsionada pelos mais jovens (<35 anos, +7,7 p.p.).
O “descompasso” do bolso, visto em meses anteriores, parece ter se resolvido neste mês. A percepção da situação financeira atual subiu de 32,1% (Set) para 34,0% (Out), um movimento puxado pelas Mulheres (+4,8 p.p.). A “coragem de gastar” também melhorou, com destaque para os Jovens (<35 anos) em grandes compras e para as Mulheres em compras do lar.
Apesar da melhora no presente, a visão de futuro apresentou uma nova tensão. O otimismo com o futuro pessoal teve um leve recuo (de 70,4% para 67,8%), sentido principalmente na faixa de 35-49 anos (-5,8 p.p.). Da mesma forma, a cautela com o futuro macro sobre a situação econômica do país aumentou, com recuo na percepção de Mulheres e da Classe Alta.
“Os dados de outubro mostram uma clara desconexão: a confiança do brasileiro melhorou não porque a visão sobre a ‘economia do país’ mudou – ela ficou estagnada – mas porque a melhora foi sentida pessoalmente. O ‘Grande Alerta’ do desemprego, que vimos em setembro, foi interrompido. O ‘bolso atual’ melhorou e a ‘coragem de gastar’ também.
No entanto, vemos uma nova tensão: a melhora foi toda ancorada no presente. O brasileiro sentiu um alívio hoje, mas o leve recuo no otimismo pessoal e a cautela macro mostram que ainda há dúvidas sobre a sustentabilidade dessa melhora nos próximos 6 meses.” analisa Rafael Lindemeyer, diretor sênior de clientes da Ipsos.
Fonte: https://www.ipsos.com/pt-br