quarta-feira, 23 de setembro de 2026
COMÉRCIO

Comércio do Centro de Manaus tenta se reinventar

Alta concorrência, baixa movimentação de clientes e bancas fechadas. Esse é o cenário do comércio no Centro.
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As vendas no comércio do Centro, zona sul de Manaus, vem diminuindo com o passar dos anos. O local que já foi famoso por ser uma zona de livre comércio, até o início dos anos 1990, vem sofrendo com a diminuição do fluxo de clientes por causa da concorrência com os shoppings, o crescimento do comércio on-line e uma expansão de lojas em vários bairros da cidade.

O período áureo do comércio no Centro de Manaus ocorreu entre meados de 1960 e 1990, com a Zona Franca de Manaus também focada no comércio e a ausência de shoppings centers na cidade. Nessa época, o comércio manauara era conhecido em todo o país e fomentava o turismo de compras.

No artigo “Zona Franca de Manaus: obsolescências e o fim dos sacoleiros”, o mestre em história, Juarez Santos Junior, diz que a capital amazonense era considerada um ‘oásis das compras’ e atraía sacoleiros de todo o país, que vinham a Manaus comprar produtos importados do exterior e revender Brasil afora.

“Entre o fim dos anos 60 e o início dos anos 90, o projeto Zona Franca de Manaus floresceu. Era formado pelo binômio comércio de importados e Polo Industrial de Manaus (PIM). Nessa época vigorava uma série de restrições à importação em todo o território nacional, uma forma de fomentar a indústria nacional, entre elas a nascente indústria de informática que contava com uma lei específica que impedia a importação de produtos de microinformática”, disse.

Reinvenção após a Abertura Comercial no Governo Collor

Além de acessar as novidades tecnológicas, os preços eram atrativos e a qualidade dos produtos era melhor que a daqueles vendidos no Paraguai. Acontece que, durante o governo do presidente Fernando Collor de Melo, houve a abertura da importação em todo o país, matando a zona de comércio manauara.

Collor decretou a redução gradual das tarifas de importação no país para forçar o aumento da competividade. Isso trouxe perdas a ZFM por conta da concorrência dos produtos estrangeiros e outras áreas comerciais pelo país.

“Esse comércio, no entanto, foi inviabilizado durante o governo de Fernando Collor, no começo dos anos 90, que simplesmente abriu as importações de forma generalizada e vantajosa também para o restante do país, praticamente “matando” o pólo de compras de Manaus, reduzindo-o ao consumo local”, diz Juarez.

Mesmo com a perda da área de livre comércio, o Centro de Manaus se reinventou e, no restante dos anos 1990 e 2000, o comércio local conseguiu se reerguer.

Diminuição das vendas pós-pandemia da Covid-19

Com a pandemia da Covid-19, o comércio no Centro da Cidade teve que ser várias vezes fechado por conta do perigo do contágio do vírus. Após a reabertura, segundo os comerciantes, o movimento diminuiu. Na Rua Marechal Deodoro, famosa por atrair manauaras de todas as regiões da cidade interessados em produtos com preços mais em conta, o movimento é fraco.

A poucos meses do natal, as vias comerciais seguem praticamente vazias.

“Antes da pandemia estava ruim, mas depois da pandemia ficou pior a situação. O comércio despencou cerca de 70%. A falta de segurança, estrutura e novos centros comerciais nos bairros. Lá tem quase tudo que tem no Centro. Agora, a gente tem que se reinventar, fazendo divulgação pela internet para dar um esquenta nas mercadorias. Nós temos que manter o menor preço possível para poder competir com os lojistas das outras partes da cidade”, Vandemir Sousa, vendedor de roupas na rua Quintino Bocaiúva.

O ambulante Danilo Nascimento está em Manaus há poucos meses. Ele veio de Coari para cuidar de uma banca da filha, que conseguiu um emprego em uma loja de roupas no centro. Apesar de ter seu próprio negócio, ele disse que a filha optou pelo emprego de carteira assinada para garantir uma renda fixa.

“A gente um dia vende uma peça e outro não. Minha filha veio de Coari faz um ano, começou a vender aqui, mas depois conseguiu um emprego melhor, e deixou a banca. Agora eu estou aqui reparando. Acho que no Natal vai vir mais gente do interior para fazer as compras aqui, porque fica perto do porto, não precisam ir aos bairros comprar”, disse Danilo, que tem uma banca na Rua Marechal Deodoro.

Com a pandemia, as vendas pela internet dispararam e criaram nos consumidores um hábito de fazer compras por aplicativos e sites, consultando não apenas os produtos locais, mas de todo o mundo.

“Voltando ao comércio, o fim dos sacoleiros, não apenas os da ZFM no contexto já citado, mas igualmente em outros contextos se deve também à evolução do comércio, para o comércio eletrônico, também conhecido por e-commerce. Hoje, qualquer um pode comprar direto do Smartphone, não apenas no comércio local, como nacional e internacional, principalmente da China; quem nunca?”, argumenta Juarez Junior.

Camelôs fechados

Na rua Marcílio Dias, uma das mais tradicionais do comércio do Centro, é possível ver muitas bancas fechadas. O movimento neste mês de outubro, a dois meses do Natal, foi muito pequeno, segundo lojistas e vendedores consultados pela reportagem do RealTime1.

Com a queda do movimento, tem gente que pensa em fechar a banca e procurar outras alternativas de trabalho.

“O comercio aqui fechava às 18h30, e as lojas às 20h. Agora tudo fecha cedo. Cinco da tarde e já está tudo fechado. Como o comércio caiu muito, e com pouco movimento, fica perigoso para andar e pegar o ônibus. Eu estou aqui faz 20 anos, mas agora penso em vender tudo e fechar o negócio aqui. Antigamente, era muita gente, agora não mais”, disse o vendedor Carlos Silva.

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