O comércio do Amazonas reivindica maior reconhecimento como principal motor da economia estadual, embora ainda predomine a percepção de que a indústria segue sendo o carro-chefe da atividade local.
Em entrevista ao RealTime1, o presidente do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac Amazonas, Aderson Frota, ressaltou que o setor já fatura mais do que o Polo Industrial de Manaus (PIM) e cobra tratamento proporcional à sua relevância.
“O comércio hoje é o setor que mais movimenta a economia do Amazonas. Nós não estamos nos ufanando disso, o que buscamos é reconhecimento e um tratamento adequado. Temos conversado com autoridades para que essa posição seja mais justa”, afirmou Frota.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da da Fazenda (Sefaz), o comércio e os serviços alcançaram faturamento de R$ 300,3 bilhões em 2024 — valor aproximadamente uma vez e meia superior ao desempenho do Distrito Industrial, que somou R$ 204 bilhões registrados no mesmo período, segundo a Suframa.
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O dirigente destacou ainda que, do ponto de vista tributário, o comércio é mais onerado do que a indústria. Enquanto fábricas instaladas no PIM podem obter até 100% de isenção do ICMS em determinados produtos, o comércio paga antecipadamente, com base em margens de valor agregado que variam de 15% a 235%.
“O comércio, fiscalmente, é muito mais sacrificado. A indústria paga ICMS apenas depois da venda, já o comércio paga antes, sobre valores majorados artificialmente pela margem de valor agregado”, reforçou.
Apesar das dificuldades, Frota reconheceu avanços recentes, como o programa Refis 2025 lançado pelo Governo do Estado. Segundo ele, a iniciativa trouxe descontos mais favoráveis ao setor, resultado de diálogo direto com o governador Wilson Lima.
Ele observou também que o desempenho do comércio sofre variações sazonais. No primeiro semestre de 2025, o setor registrou retração devido às férias, ao Carnaval e ao inverno amazônico mais rigoroso, fatores que reduziram a circulação da população e impactaram as vendas.
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