quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Lojistas do Centro cobram transparência da Prefeitura: 'Cidade não pode ser tratada com descaso'

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ACA convoca assembleia extraordinária e exige transparência da Prefeitura de Manaus

A proposta da Prefeitura de Manaus de reabrir ao tráfego de veículos as ruas Guilherme Moreira, Marcílio Dias e Dr. Moreira, hoje provocou reação imediata de entidades ligadas ao comércio. A principal queixa: a ausência de diálogo e de transparência sobre o projeto.

A Associação Comercial do Amazonas (ACA) convocou, nesta semana, uma Assembleia Geral Extraordinária para tratar do assunto.

Dos 84 empresários presentes, nenhum afirmou ter recebido notificação formal ou ter tido acesso ao projeto técnico e ao cronograma das obras.

No encontro, lojistas, empresários e representantes da sociedade civil reforçaram que defendem a revitalização do Centro — pauta discutida há anos —, mas rejeitam intervenções feitas sem consulta prévia ao setor.

“O poder público precisa interagir com quem vive e trabalha no centro. Há empresas com 50, 60 anos de atuação aqui. O centro é o DNA da cidade e não pode ser tratado com descaso”, disse o presidente do Conselho Superior da ACA, Belmiro Vianez Filho.

Comércio exige transparência e acesso ao projeto

O posicionamento foi unânime: antes de qualquer obra, os lojistas querem conhecer o projeto em detalhes, incluindo prazos, impactos no trânsito, mudanças na logística de carga e descarga e medidas de segurança.

Empresários relataram experiências negativas com obras anteriores no Centro que se arrastaram por anos e geraram prejuízos significativos.

A circulação de veículos em áreas de grande fluxo de pedestres e a vulnerabilidade em trechos marcados pela presença de usuários de drogas também foram apontadas como preocupações.

Unanimidade contra a falta de escuta e de transparência

Representantes acadêmicos, como Viviane Lopes, da Universidade Nilton Lins, contribuíram com observações técnicas sobre o impacto da medida.

A ACA reiterou que continuará cobrando informações detalhadas da Prefeitura e novos encontros serão realizados para acompanhar o andamento da proposta.

Fecomércio também critica ausência de diálogo

O presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, também reforçou a necessidade de escuta ativa por parte da Prefeitura.

Para ele, “o princípio democrático deve prevalecer” e decisões que impactam diretamente o comércio precisam considerar as preocupações e sugestões do setor.

“Além de atenderem à população, os empresários são contribuintes que pagam impostos, como o IPTU, e geram receita para o município. Ouvi-los é essencial para que as decisões sejam mais precisas e representem a realidade do setor”, afirmou.

Frota ainda questionou se liberar o acesso às vias e retirar os calçadões realmente aumentaria o fluxo de público. “Antes de qualquer decisão, é fundamental conhecer a opinião e o sentimento de todos os empresários dessas áreas afetadas.”

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