quarta-feira, 23 de setembro de 2026

'Combustível Manauara': nem adianta procurar, preços são quase os mesmos

Considerando a diferença mínima entre os preços praticados em Manaus, o estudo revela ausência de concorrência entre as redes de combustível pesquisadas na capital.
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norte preços dos combustíveis pesquisa Bolsonaro
(Foto: Reprodução)

Estudo mercadológico realizado pela Perspectiva Mercado e Opinião, no dia 21 de março, denominado de “Combustível Manauara” mostrou as médias de preços dos combustíveis comercializados em Manaus por postos da Atem, Equador, BR Petrobras, Ipiranga e Shell.

Divulgado nesta quinta-feira (23), o estudo levou em consideração os preços de gasolina (aditivada e comum), etanol e diesel S10.

No produto etanol, o preço mais barato estava sendo comercializado pelos postos Atem (R$ 4,28) e, o mais caro, pelos postos Shell (R$ 4,59), uma diferença de 0,31%.

O diesel mais barato estava sendo comercializado pelos postos Shell (R$ 6,19) e o mais caro nos postos Ipiranga (R$ 6,45), uma diferença de 0,26%.

A gasolina aditivada mais barata foi encontrada nos postos Atem (R$ 6,59) e a mais cara (R$ 6,56) nos postos Ipiranga e o mais caro nos postos Shell (R$ 6,82), uma diferença de 0,23%.

Já a gasolina comum, estava sendo comercializada praticamente pelo mesmo valor. A variação de preços era de apenas 0,03%. Nos postos Ipiranga, o litro de combustível estava sendo vendido por R$ 5,56 e nos postos Shell, por R$ 6,59. Uma diferença de apenas 0,03%

Confira o estudo completo

Prática de Cartel?

Considerando a diferença mínima entre os preços praticados em Manaus, o estudo revela ausência de concorrência em Manaus entre as cinco redes de combustível pesquisadas, e que representam mais de 95% do mercado.

Catorze dos 15 postos pesquisados no dia 21 de março, por exemplo, vendiam a gasolina comum – a mais procurada – exatamente pelo mesmo preço.

Procurado pela reportagem do RealTime1 para saber se estudo mercadológico indica  prática de cartel (acordo entre empresas que buscam controlar o mercado determinando preços e limitando a concorrência), Durango Duarte, proprietário da Perspectiva Mercado e Opinião, disse que não pode fazer esse tipo de afirmação e faz algumas considerações sobre características do mercado de Manaus.

“Apesar de a média de preços de combustíveis praticados em outras capitais brasileiras variar entre 5 e 10%, é necessário considerar a oferta de distribuição de combustível em cada capital, a logística e a carga tributária incidente, que também varia por região”, ressaltou.

Tendência de baixa

Ele lembrou, ainda, que se fosse realizar um novo estudo na próxima semana, por exemplo, os preços praticados certamente apresentariam diferenças, com tendência de baixa, como a redução da média nos preços do diesel para as distribuidoras anunciadas para entrar em vigor nesta quinta-feira (23).

Durango lembra que somente neste ano já foram anunciadas cinco altas e três reduções nos preços por parte Refinaria da Amazônia (Ream) – antiga Remam –  que agora é controlada pelo grupo Atem, uma das 6 distribuidores existente em Manaus e que todas as quartas-feiras publica tabela de preços de referência alterando, ou não, o preço do produto.

As demais distribuidoras, Equatorial, Equador, Shell, Ipiranga e Vibra 9 (antiga BR Distribuidora), atendem quase 100% de todos os postos de gasolina de Manaus. E a diferença de preço que sai destas distribuidoras é quase inexistente.

Livre iniciativa x melhor serviço

Os postos de gasolina podem praticar a livre iniciativa. Em alguns casos, cita Durango, os postos de combustível não reduz o preço no dia seguinte a um anúncio de redução de preço por parte da refinaria,  porque os tanques ainda estão abastecidos com o preço anterior, e esperam “queimar o estoque”.

Com pouca concorrência e sem “guerra de preços” no mercado de Manaus, Durango lembra que a escolha de determinado posto de gasolina já não se dá mais exclusivamente pelo preço do combustível praticado.

“A diferença é tão pequena que não vale à pena ir mais longe para abastecer o carro. Isso é um equívoco. Gasta-se mais no percurso”, destacou.  

Segundo ele, a escolha de um posto passa pelo serviço agregado disponível, seja em função do atendimento dos funcionários, das lojas de conveniências ou mini shoppings existentes onde o posto está localizado, e por outros serviços disponibilizados como troca de óleo, lavagem e até mesmo a limpeza do pára-brisas.

Aplicativo beneficiaria o consumidor

Para o pesquisador, o correto seria a realização de pesquisas semanais, geralmente nas sexta-feiras e que isso deveria ser uma função do poder público, que poderia inclusive disponibilizar um aplicativo onde os consumidores poderiam ter em seu celular várias informações.

“Poderiam comparar preços, saber quem pratica preço mais baixo, consultar qual o posto mais próximo e, até mesmo, receber um alerta sobre promoção”, sugere.

Segundo ele, o Procon municipal e estadual, em parceria com o sindicato das empresas, poderiam atuar de forma conjunta, desenvolvendo esse aplicativo, que é de baixo custo e extrema relevância. “Isso seria mecanismo de controle e de informação”.

Preço de medicamentos em estudo

O próximo estudo de mercado a ser divulgado pela Pesrpectiva será o levantamento de preços dos medicamentos em Manaus.

No entanto, segundo Durango, ainda estão sendo feitos estudos preliminares para a definição de quais medicamentos farão parte do levantamento.

Da Redação

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