quinta-feira, 24 de setembro de 2026

CNI aponta juros altos como principal desafio para o setor de construção

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Taxa de juros foi o principal desafio do setor de construção no 4º trimestre, afirma CNI.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em seu levantamento mais recente, indicou que a taxa de juros elevada foi o principal problema enfrentado pela indústria da construção no 4º trimestre de 2024.

A pesquisa foi divulgada nesta segunda-feira (27), no âmbito da Sondagem Indústria da Construção, e revelou que 34,1% dos empresários apontaram a alta da taxa Selic como o maior entrave, um aumento significativo em relação aos 25,4% registrados no 3º trimestre.

A preocupação com os juros altos reflete os desafios enfrentados pelo setor, principalmente no que diz respeito ao financiamento de imóveis e à demanda por novos projetos.

Apreensão com a taxa de juros e impactos no setor

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, enfatizou a importância da taxa de juros para a indústria da construção, afirmando que a elevação da Selic tem um impacto direto nas decisões de lançamento de unidades e financiamento imobiliário.

“A taxa de juros é bastante importante para o setor da construção. Ela condiciona tanto o lançamento de unidades quanto a própria demanda, já que as pessoas, normalmente, precisam financiar a compra de seus imóveis e empreendimentos. Por isso, a elevação da Selic traz sempre grande preocupação para o setor”, explicou Azevedo.

Além da taxa de juros, outros fatores também contribuíram para o cenário adverso.

A falta de trabalhadores qualificados foi apontada por 26,8% dos empresários como um dos principais obstáculos no 4º trimestre, enquanto a elevada carga tributária foi o terceiro maior problema, afetando 26,6% dos entrevistados.

Dificuldade de acesso ao crédito e queda na satisfação com o lucro

A pesquisa também destacou uma piora nas condições de acesso ao crédito, com um recuo de 2,6 pontos no índice de acesso ao crédito no 4º trimestre, que chegou a 37,7 pontos.

Esse indicador, que mede a facilidade com que as empresas conseguem obter empréstimos e financiamentos, foi impactado pelo aumento da Selic.

O índice de satisfação com o lucro operacional também apresentou uma queda no período, indo de 45,4 pontos no 3º trimestre para 44,8 pontos no 4º trimestre.

A redução no índice, que se afastou da linha de 50 pontos (separando satisfação e insatisfação), reflete o aumento da insatisfação dos empresários com os resultados financeiros das empresas do setor.

Custo de insumos aumenta e expectativas para 2025

O índice que mede a evolução do preço médio de insumos e matérias-primas no 4º trimestre subiu para 64 pontos, um aumento de 2,7 pontos em relação ao 3º trimestre.

Isso indica que o custo de itens essenciais para a construção teve uma aceleração, pressionando ainda mais as finanças das empresas.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da construção recuou para 49,9 pontos em janeiro de 2025, ficando abaixo da linha de confiança pela primeira vez desde janeiro de 2023.

No entanto, o índice de expectativa de nível de atividade se manteve em 53,8 pontos, e o de expectativa de compras de insumos e matérias-primas subiu para 53,7 pontos, mostrando que há uma perspectiva de aumento na aquisição de materiais.

Emprego, novos empreendimentos e investimento

A expectativa para o número de empregados no setor também aumentou, com o índice subindo para 53,1 pontos. Isso sugere uma projeção de aumento de postos de trabalho para 2025.

No entanto, o índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços caiu 1 ponto, refletindo uma redução nas perspectivas de novos projetos e serviços no setor.

O índice de intenção de investimento na construção recuou para 45,1 pontos em janeiro de 2025, indicando uma diminuição no apetite por investimentos no setor.

Apesar disso, o valor ainda é 7,2 pontos superior à média histórica, o que sugere uma resiliência do setor mesmo diante das dificuldades econômicas.

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