quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Chuvas na Amazônia geraram mais da metade do estoque de água do Brasil

Estudo reafirma importância de manter floresta amazônica em pé, pois chuvas na região geraram 56% da água do país.
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Chuva atinge área da floresta amazônica
(Foto: Reprodução)

O estudo Contas Econômicas Ambientais da Água 2018-2020 apontou que, em 2020, foram gastos 6,2 litros de água para cada R$ 1 bruto que entrou na economia brasileira. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Agência Nacional de Águas (ANA).

O estudo reafirmou a importância estratégica de manter a floresta amazônica em pé, pois as chuvas que atingiram a região da bacia Amazônia representaram 56,2% do total de 24,9 milhões de hectômetros cúbicos de água adicionadas ao estoque total do País.

O estoque é todo o volume de água disponível ou armazenado superficialmente (em rios, riachos, lagos e reservatórios artificiais), em aquíferos (águas subterrâneas) e no solo. As adições a este estoque são feitas por chuvas, águas de rios que nascem fora do Brasil e as águas de reuso.

A transpiração da floresta amazônica é reconhecidamente a principal fonte de chuvas do País, carregando águas por rios aéreos para praticamente todas as regiões brasileiras. Neste aspecto, o Amazonas é o Estado com maior cobertura vegetal do País e contribui significativamente para manter a economia funcionando.

Isso é comprovado pelo estudo quando analisa as contribuições da região Norte

“O Norte foi a região que mais contribuiu na entrada de água no estoque do país, com 87,1% de participação, devido à entrada de água de países a montante na Bacia Amazônica. Essa região também foi a principal responsável pela saída de água, com 80,0% de participação, seguida do Centro-Oeste (9,3%) e Sul (4,2%)”.

Segundo o estudo do IBGE/ANA, a redução nos estoques de águas superficiais no país foi de 16,64 milhões de hm³ em 2020. Desse total, a captação de águas para a economia respondeu por 3,58 milhões de hm³ e a saída para outros países (a jusante) foi de 0,50 milhão de hm³.

“São as chuvas formadas a partir dos rios aéreos formados pela floresta que movem o agronegócio brasileiro”, diz o cientista Phelippe Fearnside.

Água não renovável

As retiradas de águas superficiais e subterrâneas pelas atividades econômicas para uso consuntivo (quando não voltam ao estoque) totalizaram 71,2 mil hm³. A atividade com a maior participação nessa retirada foi a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (58,2%), seguida pela Captação, tratamento e distribuição de água (27,9%) e pelas Indústrias de transformação e construção (8,4%).

No mesmo ano de 2020 os negócios envolvendo água e esgotos, em todo o País, totalizaram R$ 48,2 bilhões, sendo que a distribuição de água potável representou 65,7% deste total.

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