quarta-feira, 17 de julho de 2024

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Cheia dos rios pode afetar produção agrícola a partir de dezembro

Segundo o Idam, em Manaus, os reflexos da cheia poderão ser sentidos a partir de fevereiro, com perdas na produção e redução de oferta de hortifrútis nas feiras.
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cheia

Órgãos de produção rural e de meio ambiente estão em alerta quanto aos possíveis impactos da antecipação da cheia do Rio Negro, na produção agrícola e no atendimento social aos ribeirinhos. Fornecimento de hortifrútis a Manaus podem ser afetados já no início de 2022, antes do período previsto.

O especialista rural do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Lázaro Reis, disse que caso o nível do Rio Negro mantenha a cota de cinco centímetros de elevação diária, a produção agrícola poderá ser afetada antes do período em que normalmente apresenta perdas (janeiro).

“Estamos em alerta e acompanhando a subida dos rios. Existe a possibilidade de ocorrer o ‘repiquete’, que é o fenômeno de subidas das águas, seguida da paralização e da descida. Mas, com as alterações climáticas não há como prever os acontecimentos. A partir de dezembro deste ano os produtores podem começar a sentir os impactos com perdas na produção”, informou.

De acordo com Reis em Manaus, os reflexos poderão ser sentidos a partir de fevereiro, com redução de oferta de hortifrútis nas feiras.

“Geralmente, as águas atingem municípios como Tefé, Coari, Manicoré, produtores que fornecem alimentos à capital, a partir de março se estendendo até maio. A previsão é que em 2022 os impactos aconteçam antes do previsto, em fevereiro”.

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O especialista rural ainda explicou que a produção agrícola tem continuidade em ritmo normal nas áreas do Alto Solimões, Alto Juruá, Alto Purus e Rio Madeira, onde ocorreu índice mínimo de vazante, com a manutenção da cheia.

“Nesses locais a produção é atingida pela cheia geralmente em janeiro e neste ano deverá ser afetada a partir de dezembro. Mas os alimentos dessas regiões não abastecem Manaus”, disse.

Conforme o Idam, em 2021 a produção rural registrou prejuízos estimados em cerca de R$200 milhões, com 26 municípios afetados.

Possibilidade de El Niño

Segundo o secretário de estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, o represamento das águas do Rio Amazonas contribuiu para o mínimo índice de vazante no Rio Negro. Ele afirma que o Centro de Monitoramento Integrado da Amazônia está em alerta para a possível ocorrência do fenômeno El Niño (aquecimento anormal das águas, seguido pelo enfraquecimento da massa de ar quente). O trabalho ainda conta com a atuação da Defesa Civil do estado.

“Os eventos extremos na Amazônia estão cada vez mais curtos. A concentração de períodos de chuva, de seca, é cada maior. O Rio Negro praticamente não secou e isso vale muito pelo represamento do Rio Amazonas.

Texto: Priscila Caldas

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