Em mais uma de suas transmissões em formato controlado, sem ampla participação da imprensa e com presença restrita a sites e alguns blogs aliados, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), parece ter encontrado o argumento perfeito para um possível rompimento político.
A live, realizada nesta quinta-feira (13/11) e intitulada “Bate-Papo com o Prefeito”, serviu menos para dialogar com a população e mais como um aviso a aliados.
Cercado por pressões do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), da Comissão de Assuntos Econômicos da Aleam e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), o prefeito recorreu ao discurso da “traição” para inverter papéis: de alvo de investigações, passou a se apresentar como vítima de articulações e complôs.
Durante a transmissão, David afirmou que, se descobrir que alguém “a quem declarou apoio” estaria “pedindo para agilizar processos” em seu desfavor ou “requentando matérias” contra sua gestão, “no dia seguinte” tirará o apoio político.
Prefeito de Manaus tenta inverter papéis e se apresenta como vítima
Na prática, David constrói uma desculpa política conveniente: ao se dizer vítima, legitima a possibilidade de trair antes de ser traído.
“Eu já declarei meu apoio e retiro meu apoio se tiver alguma ligação com quem eu apoio (…). Eles estão sendo teleguiados. E aí eu tomo outra posição. Eu não vou ficar sendo vítima sob fogo amigo e de pessoas invisíveis”, destacou.
O discurso soou a muitos observadores como um ensaio público para uma futura ruptura num momento de tensão com aliados e um cerco crescente de denúncias e críticas.
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A live é avaliada como um espetáculo desesperado de autopreservação, recheado de manipulação emocional, distorções e tentativas grosseiras de inverter fatos.
Cada frase dita revela um político acuado, irritado, inseguro e profundamente preocupado com o impacto das investigações que o cercam.
Estratégia política e discurso emocional
A fala de David Almeida, que mistura apelos sentimentais com ameaças veladas, foi interpretada por aliados como um sinal claro de reposicionamento político.
A narrativa da “traição” surge no momento em que o prefeito é pressionado por diferentes frentes — jurídicas, parlamentares e midiáticas — e busca justificar antecipadamente uma eventual mudança de lado.
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