quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CBA: novo contrato inspira atenção e planejamento

Colocar o centro para funcionar é apenas primeiro desafio vencido, alerta o professor Augusto Barreto Rocha.
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Sede do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA).
Sede do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA).

Celebrada pela classe política e tratada como a grande solução para a criação de novos negócios baseados nos recursos naturais e desenvolvimento da região, a assinatura do contrato de gestão do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), ocorrida nesta terça-feira (25) em Manaus, inspira atenção e planejamento.

O professor Augusto Barreto Rocha alerta que, colocar o centro para funcionar, é apenas o primeiro desafio vencido para se consolidar uma cadeia sustentável da bioeconomia. “Inspira muita atenção e, principalmente, muitas ações, logo depois da celebração desta grande vitória.”

Na avaliação dele, somente isso não remove “os equívocos de décadas de negligências na operação da ciência na Amazônia”.

Em entrevista ao RealTime1, Barreto Rocha afirma ser necessária uma discussão ampla sobre as muitas dimensões do problema. “Muito além do jardim ou do estacionamento do CBA”, destaca Rocha, que é professor Associado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde leciona no Doutorado em Biotecnologia e é membro da Rede Bionorte e diretor adjunto da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam).

Entre as questões levantadas por ele está o desafio regulatório para o setor, a oportunidade empresarial, o desafio científico, o emaranhado governamental “e ainda um desafio dos institutos tecnológicos que deveriam fazer a ponte entre os cientistas e empresários”.

O estudioso diz que as medidas de destravamento do centro e que o discurso favorável do governo federal “trazem alguma esperança, após décadas de descaso”.

Contudo, consolidar a nova política demandará “muito esforço sistêmico, temperado com anos de ações acertadas”.

“O grande risco é ele ser usado como um elemento para nos distrair durante a reforma tributária”, alerta Barreto Rocha, sobre a votação no Congresso Nacional, que, a depender de mudanças feitas no Senado, pode fragilizar Zona Franca de Manaus.

“Entre distração, falando do que não interessa, para não falar do que interessa, que são ações de construções para o futuro próspero da Amazônia, existe uma distância expressiva”, completa.

Otimismo temperado com prudência

Apesar disso, o momento é de otimismo. Segundo o professor, “há muito mais para celebrar do que para criticar”. “Mas é hora de começar uma jornada longa, que não pode ser percebida como fim do caminho”, ressalta.

“Pelo menos, colocamos um carro na estrada”, observa.

Barreto Rocha encerra dizendo que é preciso “colocar os demais carros na caravana”, ao citar diversas instituições de ensino e pesquisa da região, investidores, cientistas de todo o mundo, legisladores “e todos os demais atores necessários para construirmos um sistema de inovação e, muito mais do que isso, um sistema produtivo de empregos, impostos e produtos sustentáveis para um mundo que clama por uma Amazônia geradora de soluções e não de preocupações”.

“Seria bom que sentíssemos alguma culpa e nos redimíssemos dos desperdícios seculares que temos. Precisamos ir além do CBA e construir produtos, gerar empregos e impostos recolhidos”, conclui.

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