O Amazonas movimentou mais de R$176,9 milhões com a economia extrativa de produtos florestais, no ano passado, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O montante ressalta o protagonismo do estado no segmento, com destaque para produtos como a castanha-do-pará, o açaí, a piaçava e o látex.
Segundo os dados da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), de 2022, o estado manteve-se como maior produtor da castanha-do-pará, mas ganhou relevância com outros itens da economia extrativa.
A produção de Açaí é a segunda maior do país, com destaque para o município de Codajás. No látex, o destaque é Lábrea, enquanto a piaçava tem sua força em Barcelos.

Da castanha-do-pará teve, em 2022, foram extraídos um total de 14.303 toneladas, gerando um valor de produção de R$ 46,4 milhões. Esses números reforçam o status do Amazonas como o maior produtor do fruto, o que vem acontecendo desde 2016.
Humaitá liderou com folga a produção, contribuindo com 6.500 toneladas. Outros municípios como Boca do Acre, com 1.112 toneladas, e Codajás, com 700 toneladas, também desempenharam um papel fundamental nesse cenário de sucesso.
Açaí de Codajás
Em 2022, foram produzidas 53.729 toneladas de açaí amazonense, resultando em um valor de R$ 122,5 milhões. Esse resultado que deixa o Estado como 2º lugar na produção nacional, atrás apenas do Pará que encaminhou aos mercados consumidores um total de 164.902 toneladas, obtendo receita de R$ 641,9 milhões.

Codajás despontou como o maior produtor do açaí, contribuindo com 12.700 toneladas, gerando um valor de produção de R$ 25,4 milhões. Outros municípios, como Humaitá e Manicoré, também ajudaram a engrossar a participação do estado nesse comércio.
“Existem outros produtores de açaí no estado, como Beruri, Anori, Anamã e Coari, mas eles começaram a produzir em grande escala de 2010 para cá. Codajás já tem uma história e é uma questão cultural. Nossa festa do Açaí de Codajás já está na 34ª edição. A economia do município é movida pelo açaí e isso motiva o pessoal a continuar plantando”, disse o presidente da cooperativa Agropecuária de Codajás, Francisco da Silva Dantas.
O Brasil é o maior produtor de açaí e o maior exportador da polpa. Segundo o IBGE, são produzidas mais de 1.5 milhão de toneladas por ano. Além disso, o mercado do produto central da economia amazônica tem se mostrado extremamente promissor, com uma perspectiva de taxa de crescimento de mais de 12% para os próximos 5 anos.
Látex de Lábrea
Com 313 toneladas, o Amazonas ficou com a segunda posição no ranking de produção do látex coagulado, na região Norte. Esse quantitativo de produção ajudou o estado a arrecadar R$ 2 milhões, em valor de produção, perdendo apenas para o Acre que liderou, com a produção de 389 toneladas e alcançou, ano passado, um total de R$ 5,9 milhões.
Os municípios que mais produziram o látex coagulado no Amazonas foram Lábrea (região do Purus) que produziu 72 toneladas e alcançou um resultado de R$ 414 mil; seguido por Humaitá (região do Madeira) que produziu 62 toneladas e alcançou R$ 326 mil e Boca do Acre (região Sul do Amazonas), que produziu 42 toneladas e obteve resultado em valor de produção de R$ 220.000,00.

Maior produtor no estado, Lábrea tem parceria com a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), em 2019, o que ajudou a impulsionar a exportação amazonense para outros estados e até para fora do país.
Nesse período, o número de famílias envolvidas na atividade teve um salto de 900%. Em 2019, eram 25 famílias trabalhando com o látex. Esse ano, esse número saltou para 250, conforme os dados da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Comunidade José Gonçalves.
“A gente começou aí com 25 famílias em 2019. No ano seguinte aumentou para 73 envolvidas. Em 2021, a gente trabalhou com 110 famílias e, em 2022, trabalhamos com 192. Esse ano a gente já ultrapassou 250 famílias envolvidas, mas tem muita demanda e muita gente querendo trabalhar conosco. O problema é que não temos muita estrutura para atender mais famílias”, explicou o presidente da associação, Antônio David Britto Lima.
Piaçava de Barcelos
Além da castanha-do-pará e do açaí, o Amazonas diversificou sua produção, destacando-se na extração de piaçava. O estado produziu 2.008 toneladas, gerando um valor de produção de R$ 6 milhões. Esses números colocam o estado como segundo extrator da matéria prima no país, atrás da Bahia.
O presidente da Cooperativa dos Piaçabeiros do Médio e Alto Rio Negro (Copiaçamarin), Seder Hélio, disse que, aproximadamente, 300 pessoas trabalham na extração da piaçava em Barcelos. A atividade também envolve familiares, o que significa 1,5 mil pessoas vivendo dessa cultura só na cidade.
“Os “Piaçabeiros” são os antigos soldados da borracha. A piaçaba ou piaçava é algo cultural no município, só fica atrás da Turismo e peixe ornamental. Várias famílias dependem da piaçaba, como os comunitários, os ribeirinhos e os indígenas”, salientou o presidente da Cooperativa dos Piaçabeiros do Médio e Alto Rio Negro, Seder Hélio.
