As lojas do Carrefour e Atacadão em Manaus podem enfrentar desabastecimento de carne e aves até o fim desta semana, conforme a estimativa de um funcionário do setor de açougue de uma das unidades da cidade.
Segundo ele, que preferiu não se identificar, o estoque na capital foi reforçado ao longo do semestre devido à seca dos rios, mas a situação já se agravou em outras cidades, como São Paulo.
O desabastecimento está relacionado à declaração do CEO mundial do Carrefour, Alexandre Bompard, que anunciou a suspensão da compra de carne de produtores do Mercosul, alegando razões ambientais e compromissos de sustentabilidade. A medida foi vista como protecionista por favorecer os produtores franceses.
Em resposta, frigoríficos e pecuaristas brasileiros declararam que, se a carne do Brasil não serve para a França, também não será destinada a outros mercados, incluindo o Carrefour Brasil.
No domingo, quase 50 associações e empresas, incluindo grandes produtores de aves e suínos, assinaram uma carta aberta prometendo aderir ao boicote à rede francesa.
Ministro apoia retaliação
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, declarou nesta segunda-feira (25) estar “feliz” com a decisão dos frigoríficos brasileiros de suspender o fornecimento de produtos ao Carrefour Brasil.
Ele classificou a posição de Bompard como “absurda” e considerou a retaliação uma resposta legítima após 40 anos de comércio.
Conflito com raízes comerciais e ambientais
A disputa entre o Carrefour e os produtores do Mercosul reflete questões comerciais e ambientais. O executivo francês defende que a suspensão é parte das metas globais de sustentabilidade da empresa.
Já os frigoríficos brasileiros apontam que monitorar a cadeia de fornecimento, incluindo pequenos fornecedores indiretos, enfrenta desafios logísticos e tecnológicos, especialmente na Amazônia.
Os pecuaristas acusam o Carrefour de usar tais critérios para pressionar preços, o que compromete a rentabilidade de uma cadeia que movimenta bilhões de reais em exportações anuais e gera milhões de empregos no Brasil.
O boicote prolongado pode levar o Carrefour a buscar novos mercados internacionais, deslocando recursos que hoje são destinados ao país.
Possível solução
Para especialistas, a adoção de tecnologias de rastreamento e certificação pode ser uma solução viável, mas demanda tempo e investimentos.
Entidades que representam pecuaristas e frigoríficos defendem que empresas como o Carrefour considerem as especificidades do mercado brasileiro e adotem uma transição gradual para novos padrões.
A tensão ilustra os desafios de conciliar práticas de sustentabilidade e os interesses econômicos em uma das cadeias produtivas mais relevantes para o Brasil.
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