sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Carne processada: Estudo global aponta aumento de risco de doenças com qualquer quantidade

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Foto: FreePik

Um novo estudo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, publicado na revista científica Nature Medicine, identificou que não há quantidade segura para o consumo de carnes processadas, como presunto, salsicha, bacon, mortadela, linguiça e salaminho, entre outros.

Os pesquisadores analisaram 78 estudos anteriores para avaliar a relação entre o consumo desses alimentos e os problemas de saúde.

“Os aumentos uniformes no risco à saúde com o aumento do consumo de carne processada sugerem que não há uma quantidade ‘segura’ de consumo no que diz respeito ao risco de diabetes ou câncer de intestino (…) Com base em nossas descobertas, as diretrizes alimentares devem destacar os potenciais riscos à saúde associados ao consumo mesmo de pequenas quantidades de carne processada”, escrevem os autores na pesquisa.

Diversas evidências já apontavam para os malefícios dos ultraprocessados e o aumento do risco de câncer de intestino e diabetes, mesmo com o consumo diário de uma única porção.

No entanto, os cientistas buscaram estimar o quanto uma porção ao dia seria suficiente para provocar esse aumento no risco.

Os dados mostraram que o consumo de uma porção por dia de carne processada, que variou entre 0,6g e 57g nos trabalhos, já elevou em pelo menos 11% o risco de diabetes em relação aos que não ingeriam o alimento.

Para o câncer de intestino, cuja porção nos estudos era de 0,78g a 55g, as chances aumentaram no mínimo 7%.

Malefícios dos alimentos ultraprocessados

As estimativas para os problemas de saúde foram consideradas conservadoras pelos cientistas, o que indica que os riscos podem ser ainda maiores.

“Mesmo que os efeitos sejam modestos ou moderados, o impacto populacional pode ser alto. Pequenos aumentos de risco multiplicados por milhões de pessoas resulta numa carga global de doença bem alta, e essas doenças são muito prevalentes. Vale a recomendação de reduzir ou evitar esses alimentos”, afirma Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Os estudos analisados também sugeriram uma maior probabilidade de desenvolver doença isquêmica do coração, porém o nível de evidência disponível foi considerado baixo.

Em relação às bebidas adoçadas, a revisão encontrou um aumento de ao menos 8% no risco de diabetes e de 2% no de doença cardíaca. A porção, neste caso, era de 1,5g até 390g, o equivalente a uma lata de refrigerante de 350 ml, em média.

Já para a gordura trans, um consumo que representava de 0,25% a 2,56% das calorias diárias foi associado a um risco 3% maior de doença isquêmica do coração.

Um risco para a saúde

Muitos ultraprocessados disponíveis no mercado possuem formulações com excesso de açúcares adicionados, gorduras saturadas, sódio, aditivos alimentares e calorias em excesso.

Esses alimentos também tendem a impactar negativamente a microbiota intestinal, o perfil inflamatório e o metabolismo energético do corpo.

Os pesquisadores afirmam que há evidências que indicam um risco 50% maior de morte por doenças cardiovasculares; 53% de transtornos mentais comuns e 48% de ansiedade prevalente. Também foram observados dados que sugerem um risco 12% maior de diabetes tipo 2.

Como identificar os ultraprocessados?

O conceito de ultraprocessados, que ganhou reconhecimento internacional, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) com base na classificação Nova, que organiza os alimentos e bebidas em quatro grupos distintos.

O primeiro grupo é formado pelos alimentos in natura ou minimamente processados, obtidos diretamente da natureza ou submetidos a processos simples, como secagem, moagem ou refrigeração, sem adição de substâncias. Exemplos incluem carnes, grãos, leite, frutas e hortaliças.

O segundo grupo diz respeito aos ingredientes culinários processados, que são extraídos de alimentos ou também diretamente na natureza e usados em pequenas quantidades para preparar refeições, como óleos, sal e açúcar.

No terceiro grupo estão os alimentos processados, produzidos a partir da combinação de alimentos in natura com ingredientes culinários, com o objetivo de aumentar a durabilidade e tornar o consumo mais prático. É o caso de pães, queijos, conservas e conservas.

Por fim, o quarto grupo engloba os ultraprocessados, que são formulações industriais com diversos aditivos, como corantes, saborizantes e ingredientes modificados, que imitam alimentos naturais, mas com baixo valor nutricional e alto apelo comercial, como os refrigerantes, salgadinhos, sorvetes, barras de cereal, margarina, macarrão instantâneo, entre outros.

Avaliar a tabela nutricional e os ingredientes é fundamental

Os pesquisadores reforçam que os ultraprocessados não devem ser condenados de forma genérica, mas analisados caso a caso.

Um iogurte adoçado, por exemplo, pode ser classificado como ultraprocessado, mas apresenta perfil nutricional diferente de uma salsicha ou de um macarrão instantâneo.

Compreender a classificação dos alimentos permite escolhas mais conscientes e alinhadas à promoção da saúde.

Embora nem todo ultraprocessado represente o mesmo nível de risco, o consumo frequente e em excesso desses produtos está relacionado a agravos crônicos e deve ser feito com cautela e moderação.





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