quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Brics: Amazonas pode acessar recursos para projetos sustentáveis

Encontro do Brics discutirá temas que poderão ofercer oportunidades de financiamento de projetos pelo Governo e empresas do Amazonas
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Janja, Lula, governador Wilson Lima e primeira dama do Amazonas, Thayana Lima
Janja, Lula, governador Wilson Lima e primeira dama do Amazonas, Thayana Lima, em Parintins

O poder público e o empresariado do Amazonas devem olhar com lupa para os debates que vão ocorrer, a partir desta terça-feira (22), em Johanesburgo, na África do Sul, quando o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) abre o 15ª Encontro do BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul

O bloco movimenta 26% da economia mundial e tem outros 22 países interessados em participar da iniciativa, que nesta cúpula vai se concentrar no fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) do Brics.

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Chefiado pela ex-presidenta Dilma Rousseff, o NBD financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, duas áreas essenciais para o desenvolvimento do Amazonas. Mesmo no comércio tradicional, o Brics apresenta algumas possibilidades para a economia do Estado.

Nesta segunda-feira, o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, recepcionou uma delegação da Zona Franca de Desenvolvimento Integrado da Barra do Dande, de Angola, país que fica encravado dentro do território da África do Sul e que terá o pedido de ingresso no Brics analisado pelos membros originais.

O Acordo de Cooperação Técnica com a Zona Franca da Barra do Dande foi o primeiro na história assinado pela Suframa com um país do continente africano e isso nos motiva ainda mais a dar toda a atenção devida para essa parceria“, disse Bosco Saraiva.

A Dande Free Zone espera a criação de 21 mil postos de trabalho e o alcance de uma contribuição entre 1,5% e 2% no Produto Interno Bruto (PIB) de Angola na próxima década. Em sua primeira fase, a Dande Free Zone será implementada em uma área de 860 hectares.

Amazonas e Brics no comércio tradicional

Do bloco original, um incremento do comércio do Amazonas depende de variáveis internas de cada país, que estão em diferentes níveis de desenvolvimento.

Maior país do Brics, a China é a maior compradora de produtos brasileiros, com destaque para soja, minério de ferro e petróleo, produtos que estão fora do portfólio amazonense. Agora na outra ponta, empresas chinesas estão cada dia mais investindo na Zona Franca de Manaus, como por exemplo a TPV.

A empresa é uma das maiores do polo de televisores e monta em Manaus diversas marcas conhecidas do segmento e emprega mais de três mil operários. A interesse de outras empresas chineses, sobretudo no polo de duas rodas, como a BYD, especializada em veículos elétricos.

A África do Sul, por sua vez, compra do Brasil basicamente alimentos do agronegócio nacional e tem um programa para captar turistas brasileiros. Para o Amazonas, o País que tem o pior PIB entre os membros do Grupo há poucas opção de negócios.

O mesmo se aplica a Rússia, cujas limitações existem em face dos embargos promovidos pelos Estados Unidos em função da guerra da Ucrânia. Qualquer produto industrializado que tenha componente feito por empresas norte-americanas não podem ser exportadas para o País de Vladimir Putin.

Brics discute moeda comum

Dos países criadores do bloco, estarão presentes em Johanesburgo os presidentes Lula (Brasil), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Xi Jinping (China), e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participará de forma remota.

Desde que foi criado, em meados da primeira década deste século, o Brics mais que triplicou sua participação na riqueza mundial, saltando de 8% em 2001 para 26% em 2022. E o viés é de mais crescimento puxado por China e Índia, respectivamente.

O problema é que Brasil, Rússia e África do Sul crescem num ritmo muito menor que os dois gigantes asiáticos. Nos últimos dez anos, as economias da China e da Índia cresceram 6% anuais em média, enquanto o PIB do Brasil, da Rússia e da África do Sul aumentou 1% anualmente.

Na busca por reduzir a desigualdade entre os participantes originais, Dilma quer impulsionar o investimento do NDB em projetos de áreas que vão da infraestrutura, meio ambiente e projetos sustentáveis.

No Brasil, por exemplo, o NDB investiu US$ 32 milhões desde a fundação dele em 2014, mas haverá espaço para crescimento com a criação de uma moeda comum, ideia defendida pelo Brasil, e o financiamento na moeda do próprio País a partir de acordos com bancos de desenvolvimento.

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