quinta-feira, 5 de novembro de 2026

'Brasil poderia ter vacinado 30 milhões até dezembro', diz Dimas Covas

Presidente do Instituto Butantan revelou que em julho de 2020 ofereceu 60 milhões de doses da CoronaVac para serem entregues até dezembro; oferta foi feita antes da Pfizer.
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O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou, em depoimento nesta quinta-feira (27), que o Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a vacinar seus cidadãos, mas faltou interesse do Governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

“A vacinação começou no mundo no dia 8 de dezembro e ao final deste mês 4,8 milhões de doses foram aplicadas. Nós, do Butantan, tínhamos prontas cinco milhões de doses e outras 4,8 milhões de doses em processamento”, revelou Dimas Covas.

Covas revelou também que na primeira oferta feita ao Ministério da Saúde, o Butantan se comprometia a entregar 60 milhões de doses até dezembro, o que seria suficiente para vacinar 30 milhões de brasileiros com as duas doses necessárias do esquema vacinal. Atualmente, menos de 20 milhões de brasileiros receberam as duas doses das vacinas que integram o Programa Nacional de Imunização (PNI).

Três ofertas feitas ao Governo Federal

O presidente do Butantan também revelou, com depoimento e documentos, que foram feitas três ofertas de compra de vacinas ao Ministério, a primeira delas no dia 30 de julho, 20 dias antes da oferta feita pela farmacêutica norte-americana Pfizer. A segunda oferta foi feita em 18 de agosto e reiterava a oferta de 60 milhões de doses. A terceira oferta foi feita em 7 de setembro e já previa 100 milhões de doses.

O Butantan também solicitou do Ministério da Saúde apoio financeiro para a adequação de uma fábrica nova para a produção da CoronaVac e pagar parte do estudo clínico que era feito com pacientes brasileiros.

Eduardo Pazuello era quem comandava o Ministro da Saúde na época e chegou a anunciar a compra de 45 milhões de doses da “vacina do Brasil”, como ele chamou o imunizante. No entanto, no dia seguinte ao anúncio do ex-ministro, o presidente Jair Bolsonaro o desautorizou publicamente em uma entrevista e na transmissão ao vivo que faz nos canais da presidência em redes sociais. “Desde então, as negociações com o Ministério, que caminhavam lentamente, entraram numa inflexão e só voltaram a ser feitas em janeiro”, revelou Dimas Covas.

O contrato entre o Butantan e Ministério da Saúde só foi assinado em 7 de janeiro e previa a compra de 45 milhões de doses, com opção de compra de outros 54 milhões, que foi exercida em março.

Texto: Gerson Severo Dantas

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