O Brasil está emergindo como um dos países mais promissores na nova corrida global pelas terras raras — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos militares de alta precisão.
Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país detém cerca de 21 milhões de toneladas métricas desses minerais, o que representa 23% das reservas mundiais, posicionando-o entre os maiores detentores do planeta.
As principais jazidas estão concentradas em Minas Gerais, especialmente nas regiões de Araxá e Poços de Caldas, e em Goiás, no município de Minaçu, onde a Serra Verde Pesquisa e Mineração desenvolve o primeiro projeto brasileiro de mineração de terras raras de argila iônica, um tipo de depósito mais sustentável e com maior concentração de elementos magnéticos. O Amazonas também vem ganhando destaque, sendo apontado como o segundo estado com maior potencial de reservas no país.
Quem lidera a exploração das terras raras?
Entre as empresas que estão liderando a exploração estão a Serra Verde, a Brazilian Rare Earths Ltd. (BRE) — de capital australiano, com projetos no Nordeste — e a Viridis Mining & Minerals Ltd., que investe no projeto Colossus, em Minas Gerais. Essas companhias buscam transformar o Brasil em fornecedor estratégico de minerais críticos para cadeias produtivas de energia limpa e tecnologia digital.
Apesar do potencial gigantesco, o país ainda enfrenta desafios para se consolidar como potência global no setor. Especialistas apontam a falta de infraestrutura industrial para o refino e processamento dos minerais, hoje concentrada majoritariamente na China, que controla entre 60% e 70% da produção mundial. Essa dependência torna o domínio chinês uma questão geopolítica sensível, especialmente para Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar suas fontes de suprimento.
O interesse internacional no Brasil cresce à medida que o mundo acelera a transição energética e digital. A expectativa é que, com investimentos em tecnologia e regulamentação adequada, o país possa ocupar um papel central na cadeia global de fornecimento de terras raras — não apenas como exportador de matéria-prima, mas como produtor de componentes de alto valor agregado, essenciais para a indústria do futuro.
Com reservas abundantes e localização estratégica, o Brasil tem agora a oportunidade de transformar seu subsolo em ativo geopolítico e econômico de primeira grandeza, reposicionando-se no mapa mundial da mineração tecnológica.