quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Brasil deixa Mapa da Fome da ONU após queda da subnutrição e avanço do emprego formal

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Foto: Lyon Santos/ MDS

O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da FAO/ONU, conforme anúncio feito nesta segunda-feira (28), em Adis Abeba, Etiópia. A média trienal 2022/2023/2024 aponta que menos de 2,5% da população está em situação de subnutrição, índice que retira o país da lista de nações com insegurança alimentar grave.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) confirmou, durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (UNFSS+4), que o Brasil está fora do Mapa da Fome. O indicador considera a prevalência de subnutrição em um intervalo de três anos — no caso, 2022 a 2024 — e coloca o país abaixo do limite de 2,5% da população em risco de não ter acesso a alimentos em quantidade suficiente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o anúncio como uma conquista histórica. “O Brasil está fora do Mapa da Fome, mais uma vez. Reduzimos a subnutrição grave para menos de 2,5%. É possível combater a fome com políticas públicas sérias e compromisso com o povo”, escreveu Lula em suas redes sociais.

Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, a meta era sair do Mapa da Fome até 2026. “Com o Plano Brasil Sem Fome, conseguimos isso em dois anos. Não há justiça social sem justiça alimentar. E não há soberania sem comida na mesa”, afirmou.

Redução da pobreza e recuperação da renda

De acordo com os dados oficiais, o país retirou cerca de 24 milhões de pessoas da insegurança alimentar grave até o fim de 2023. A taxa de pobreza extrema recuou a 4,4% em 2023, o menor índice da série histórica. Em 2024, o desemprego caiu para 6,6% e o rendimento domiciliar per capita atingiu R$ 2.020. O índice de Gini, que mede a desigualdade, caiu para 0,506.

A renda do trabalho dos 10% mais pobres cresceu 10,7% em 2024 — avanço 50% superior ao dos 10% mais ricos. No total, a renda média do trabalho aumentou 7,1%.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que 98,8% dos empregos formais criados em 2024 foram ocupados por pessoas inscritas no Cadastro Único. Entre essas vagas, 1,27 milhão foram preenchidas por beneficiários do Bolsa Família. O avanço na renda permitiu que cerca de um milhão de famílias saíssem da linha da pobreza e deixassem de receber o benefício em julho de 2025

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Políticas públicas integradas

A saída do Brasil do Mapa da Fome resulta de ações articuladas como o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Cozinha Solidária, o PRONAF, o reforço à alimentação escolar, valorização do salário mínimo e apoio à agricultura familiar.

“Todas essas iniciativas estão integradas no Plano Brasil Sem Fome. A soma dos esforços resultou em soberania alimentar, redução da pobreza e fortalecimento da democracia”, disse Wellington Dias.

Aliança global proposta pelo Brasil

Durante a presidência brasileira do G20, em 2024, o governo lançou a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. O objetivo é reunir países, instituições e organizações internacionais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco na erradicação da fome até 2030. A iniciativa já conta com 101 países-membros.

“O exemplo brasileiro pode ser replicado em vários países. O combate à fome passa pela valorização das pessoas e pela cooperação internacional”, reforçou o ministro.

Entenda o que é o Mapa da Fome

Criado pela FAO, o Mapa da Fome identifica países com mais de 2,5% da população em situação de subnutrição grave. O cálculo usa três variáveis: disponibilidade de alimentos, capacidade de consumo da população (com base na renda) e adequação calórica por indivíduo.

A metodologia utiliza médias trienais para evitar distorções causadas por eventos pontuais. A exclusão do Brasil em 2025 se baseia na média 2022-2024, mesmo com o impacto crítico do primeiro ano.

No Brasil, além dos indicadores da FAO, o governo acompanha a segurança alimentar por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), aplicada em pesquisas domiciliares do IBGE. Outros dados são gerados por meio da rede de atenção básica, do CadÚnico, da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA) e da Pesquisa Nacional de Saúde.

Sobre o Relatório Sofi

O relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo” (Sofi) é divulgado anualmente pela FAO, em parceria com FIDA, UNICEF, PMA e OMS. Ele apresenta os dados consolidados sobre insegurança alimentar, desnutrição e estratégias de enfrentamento, sendo referência mundial para políticas públicas. A íntegra do relatório Sofi pode ser encontrada aqui.

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