Enquanto se torna alvo dos maiores protestos nas ruas contra o seu Governo até agora, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) começa a traçar sua estratégia em busca da reeleição em 2022, quando deverá insistir na polarização com o Luiz Inácio Lula da Silva e o PT para tentar se manter na presidência.
Sem partido desde novembro de 2019, quando deixou o PSL que o elegeu, e incapaz de criar a sua própria legenda, a Aliança pelo Brasil, o presidente encaminha a sua filiação ao Patriota, partido no qual, nesta segunda-feira (31), o senador Flávio Bolsonaro, primogênito do presidente, se filiou, deixando o Republicanos. Sua entrada no partido foi anunciada aos integrantes ainda no domingo, em uma tumultuada convenção nacional que contou com manobras no estatuto para facilitar que a família Bolsonaro tenha o controle da sigla a partir dos próximos meses.
O volume do Patriota
O Patriota é um partido com seis deputados federais que recebeu, no ano passado, 21 milhões de reais do fundo partidário, figurando como o 15º entre 23 partidos que mais receberam os recursos que bancam as agremiações. O PSL, com 98,3 milhões de reais, e o PT, com 87,1 milhões de reais, foram os que mais receberam o recurso público. O valor é distribuído de acordo com o número de deputados eleitos.
Estar em um partido pequeno, com pouquíssima tradição, é a saída que o presidente encontrou para poder interferir nas candidaturas estaduais. É algo parecido que ele fez em 2018, quando ingressou no PSL, que tinha apenas um deputado federal, e conseguiu eleger consigo quatro senadores e 52 deputados federais, a maioria de extrema direita.
Na convenção realizada no domingo, o Patriota discutiu se o presidente da sigla, Adilson Barroso, poderia convidar formalmente Bolsonaro para se filiar. Não houve oposição ao convite, mas, sim, sobre a maneira que ele seria feito. Com canetadas que agora estão sendo questionadas no Tribunal Superior Eleitoral, Barroso destituiu membros do diretório e ampliou a participação de seus aliados internos.
“Eu quero a vinda do Bolsonaro, mas quero construída com absoluta transparência e garantia de que as pessoas boas vão permanecer”, disse o deputado Fred Costa (MG), líder do partido na Câmara. “Ninguém aqui é contra a vinda do presidente Bolsonaro, mas ele jamais virá para um partido com essa insegurança”, completou o deputado Marreca Filho (MA) durante a convenção.
Claramente irritado, Barroso disse aos seus opositores internos que Bolsonaro não fez qualquer exigência para se filiar. “Se vocês [opositores] pegassem o partido, ele não vinha nem se desse o mundo para ele. Mas, graças a Deus, ele vem hoje para o partido por causa da amizade, sem pedir uma bala”. Essa é a segunda vez que Barroso entrega a sigla ao clã Bolsonaro. Em 2017, então deputado e pré-candidato Bolsonaro estava com acordo verbal para ir à legenda, inclusive atuou para que ela mudasse de nome de Partido Ecológico Nacional (PEN) para Patriota. Mas, de última hora, o presidente se filiou ao PSL.
Bastidores
Internamente, no Planalto, a avaliação é que nenhum outro partido estaria disposto a ceder tudo o que o presidente pede. Como em 2022 a tendência é que a eleição seja mais polarizada que a passada, o mandatário espera poder se unir a um ou dois partidos considerados médios ou grandes para ter mais recursos dos fundos partidário e eleitoral, além de exposição nas propagandas de rádio e TV. Entre as siglas que estão sendo assediadas pelo presidente para esta composição estão o próprio PSL, que também passa por uma reformulação interna, o Progressista, o PL e o Republicanos.
Com informações do El País
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