O presidente Jair Bolsonaro (PL), que viu ao longo do seu mandato o desmatamento da Amazônia subir por três anos consecutivos, venceu o primeiro turno das eleições em oito das dez cidades mais desmatadas da região no ano passado.
No Amazonas, o presidente ganhou em Apuí saltando de 47,5% dos votos em 2018 para 57,8%, no último domingo (2). Já o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu em Lábrea com 63,8% (taxa menor do que Haddad teve em 2018, de 69,7%).
No entanto, no Amazonas Lula foi o vencedor do 1º turno com 49,52% dos votos contra Bolsonaro que teve 42,80%.
Proporcionalmente, a quarta maior votação do presidente Bolsonaro no País se deu na quinta cidade mais desmatada no ano passado, Novo Progresso (PA), onde ele obteve 79,6% dos votos. Em 2018, Bolsonaro havia recebido 72,7% dos votos na cidade.
O município no oeste do Pará, localizado à beira da BR-163, foi palco do chamado “dia do fogo”, em agosto de 2019, quando fazendeiros, madeireiros e empresários locais fizeram uma ação coordenada para botar fogo em uma grande área.
Mas não é de hoje que a motosserra corre solta na região, em um processo de expansão da grilagem de terras e do agronegócio que se intensificou com a pavimentação da rodovia no início dos anos 2000 e voltou a crescer no governo Bolsonaro. O município tem experimentado também um aumento do garimpo.
Na lista das cidades com maiores taxas de desmatamento, Bolsonaro também ampliou sua votação em Altamira (PA), de 54,3% em 2018 para 57,7% em 2022; em São Félix do Xingu (PA), de 52,7% pra 63,1%; em Itaituba (PA), de 47,5% para 57,8%; e em Colniza (MT), de 62,1% para 71,1%.
Em Porto Velho, onde também venceu, a votação do candidato do PL ficou estável, com uma leve redução (passou de 57,8% para 56,8%).
Já em Pacajá (PA), onde Haddad havia liderado no primeiro turno de 2018, com 46,3%, neste ano Bolsonaro venceu com 55,3%.
Lula, além de vencer em Lábrea (AM), também foi o mais votado em Portel (PA), onde obteve 63,7%. Na cidade paraense Haddad também havia ficado à frente em 2018, mas com um percentual menor: 58,2%.
O cruzamento foi feito pelo Observatório do Clima com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Prodes fornece o dado oficial de desmatamento anual da Amazônia.
Texto: Giovana Girardi (Folhapress)
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