A principal igreja evangélica a dar apoio político ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a Assembleia de Deus no Amazonas já esteve do outro lado do espectro político e apoiou sem restrições candidatos do PT e até mesmo do PCdoB.
Em 2012, por exemplo, “surfando na onda” petista nas eleições para a Prefeitura de Manaus, a ex-deputada federal Vanessa Graziottin (PCdoB) contou com o apoio do presidente da Assembleia no Amazonas, pastor Jonatas Câmara, e, por conseguinte, da massa evangélica da cidade. Em vídeos ainda disponíveis na internet, o pastor e a esposa dele, Ana Lúcia Câmara, dão depoimentos em apoio à então candidata à prefeitura.
No palanque com os petistas
Nas mesmas publicações de campanha, Jonatas é visto no palanque ao lado dos senadores Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (MDB), do deputado Sinésio Campos (PT), do ex-deputado Eron Bezerra (PCdoB) e do ex-presidente Lula. Quem também dá as caras no vídeo é o ex-vereador de Manaus, Chico Preto (sem partido), hoje um bolsonarista ferrenho.
“Estamos diante de dois projetos, um para avançar e outro para retroagir. Nós queremos construir uma nova cidade, uma nova maneira de fazer política nessa cidade”, dizia o pastor durante um comício da candidata comunista.
Apoio a Bolsonaro em 2022
Hoje Jonatas Câmara, assim como o irmão dele, o deputado federal Silas Câmara (Republicanos) são fiéis aliados de Bolsonaro. Na primeira visita do presidente ao Amazonas, Jonatas promoveu um culto religioso para recepcionar o chefe do Executivo Federal no Templo Canaã, em Manaus, reunindo milhares de fiéis.
Em uma recente publicação no Facebook, o pastor publicou uma foto de Silas e do presidente e pediu o apoio de seu ‘rebanho’ ao evento deste domingo (1) que apoiava a adoção do voto impresso nas eleições de 2022, como prega o presidente.

O deputado Silas esclareceu que a Assembleia participa ativamente do processo eleitoral brasileiro há aproximadamente 40 anos e preza pela escolha de candidatos que tenham maior representatividade e defenda os interesses dos assembleianos. Ele ainda revela que a aliança deste segmento evangélico em 2022 será com a atual gestão de Bolsonaro e possivelmente deve apoiar o senador Eduardo Braga (MDB) para o governo do Estado.
“Precisamos ter representatividade até para manifestar aquilo que nós pensamos sobre todos os temas que entram em debate hoje no Poder Legislativo. Isso no poder estadual, municipal ou federal. Portanto, esse é um debate feito a cada eleição. Analisamos as opções que temos e tomamos a decisão”, disse o deputado.
O peso deste voto evangélico pode ser medido pelo tamanho da Assembleia de Deus no Amazonas. Somente em Manaus são aproximadamente 1 mil templos e em todo o estado somam-se aproximadamente 300 mil membros. Não à toa, o apoio político dos líderes da igreja é algo cobiçado pela maior parte dos candidatos a cargos majoritários no Amazonas.
Apoio evangélico no Brasil
Apesar da perda de popularidade inclusive entre os nichos sociais que declaram apoio ao bolsonarismo, o presidente da República ainda mantém uma forte base entre os evangélicos batistas, presbiterianos, metodistas e luteranos, que historicamente exercem influência na vida nacional.
Eleito com o discurso da preservação da ‘família tradicional’ e em prol da moral e dos bons costumes, Bolsonaro possui ainda apoio de alguns grupos católicos que prezam pelo conservadorismo.
Texto: Giovanna Marinho
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