quinta-feira, 24 de setembro de 2026

As verdades sobre o projeto de construção da Cidade Universitária da UEA

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As verdades sobre o projeto de construção da Cidade Universitária da UEA

Ao longo dos últimos anos, a Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) se tornou símbolo de um debate enviesado, alimentado por informações distorcidas, generalizações e falsas atribuições de culpa.

A obra, iniciada em 2012 com força durante o governo de Omar Aziz (PSD), acabou paralisada por fatores que vão muito além de decisões administrativas — e que envolvem também intervenções judiciais, disputas ambientais e descontinuidade política.

Diferente do que se espalhou em redes sociais e até em parte da imprensa, Omar Aziz não gastou R$ 300 milhões, tampouco abandonou a obra.

Levantamento com base em dados oficiais do Portal da Transparência, cruzados com documentos institucionais, mostra que até 2017 – ano em que as obras foram suspensas por decisão judicial provocada por ação do Ministério Público Federal (MPF) — o governo estadual havia investido R$ 147,1 milhões no projeto.

Esse valor representa quase 95% do total pago entre 2012 e 2024, segundo levantamento feito pela reportagem do RealTime1.

Uma narrativa construída pela repetição

A ideia de que a Cidade Universitária foi um “desperdício de dinheiro público” iniciado e abandonado no governo Omar Aziz é resultado de uma estratégia de repetição, que lembra a lógica da propaganda autoritária.

A frase atribuída a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler — “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” —, resume bem a forma como informações distorcidas sobre a obra foram disseminadas até se consolidarem como “opinião popular”, mesmo contrariando os fatos.

Onde foi aplicado o dinheiro público na Cidade Universitária?

A maior parte dos recursos foi aplicada entre 2012 e 2014, com destaque para:

  • Construção da estrada de acesso: R$ 59,1 milhões
  • Indenizações e reassentamentos: R$ 14,4 milhões
  • Elaboração do plano diretor: R$ 8,3 milhões

Somadas, essas etapas consumiram R$ 81,8 milhões. Em abril de 2014, Omar se licenciou do governo para disputar o Senado e deixou R$ 2,27 bilhões em caixa.

No entanto, seu sucessor, José Melo, executou apenas R$ 11,7 milhões naquele ano. O ritmo da obra foi desacelerando até que, em 2017, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública (ACP nº 1001675-23.2017.4.01.3200), questionando a validade da licença ambiental emitida em 2013.

A Justiça Federal concedeu liminar suspendendo as obras. Dois anos depois, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) reconheceu o abandono do projeto e cobrou da UEA um plano de destinação para a área.

Linha do tempo: o que (realmente) aconteceu

AnoMarco principal
2012Início das obras. R$ 15,9 milhões pagos.
2013Maior investimento (R$ 53,3 mi). Licença de Instalação nº 083/2013 emitida.
2014Omar se licencia em abril. José Melo assume. Investimento de R$ 11,7 mi.
2015–2016Projeto perde fôlego, mas sem entraves judiciais. R$ 60,7 milhões pagos no período.
2017MPF ajuíza ação civil pública. Justiça suspende a obra. Investimento acumulado: R$ 147,1 milhões.
2018Obra praticamente parada. Apenas R$ 2,4 mil pagos.
2019TCE-AM cobra destinação da estrutura e reconhece o abandono.
2020–2024Pagamentos somam apenas R$ 7,9 milhões. Projeto permanece travado.

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