Prometida como o grande salto tecnológico na gestão de David Almeida (Avante), a criação da Bolsa Eletrônica de Compras de Manaus (BEC/AM) e do Almoxarifado Virtual completa cinco anos sem sair do plano de governo.
A iniciativa, que deveria modernizar a máquina pública e dar transparência aos gastos, encerra o ciclo administrativo como uma promessa não cumprida.
Inovação apenas no discurso
Em 2020, Almeida propôs substituir o modelo burocrático por um sistema de “prateleira digital”, semelhante aos marketplaces privados.

O objetivo era centralizar aquisições, reduzir custos logísticos e abrir as portas da prefeitura para micro e pequenas empresas locais.
Na prática, a gestão manteve os modelos tradicionais, marcados por fragmentação de demandas e baixa acessibilidade para o pequeno fornecedor.
Contradição Administrativa
Embora a prefeitura utilize amplamente as redes sociais para exaltar a “modernização” da capital, a ausência de um sistema estruturado de compras eletrônicas coloca Manaus atrás de cidades que já utilizam plataformas como a BEC/SP.
O entrave não foi legal: A nova Lei de Licitações (n^o 14.133/2021) deu todo o respaldo jurídico necessário para a implementação de sistemas eletrônicos e compras padronizadas.
O balanço dos 5 anos
A não execução do projeto evidencia um descompasso entre o marketing político e a entrega administrativa. Em um município que movimenta bilhões anualmente, a falta do marketplace não é apenas uma falha técnica, mas uma escolha política que manteve as compras públicas em um ambiente de menor visibilidade e concorrência limitada.
Sem explicações oficiais sobre entraves ou prazos, a BEC/AM torna-se um símbolo de inovação que ficou restrito ao papel, deixando de economizar recursos públicos e de dinamizar a economia local como prometido.