O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta contundente sobre o futuro da Amazônia. Segundo ele, o bioma pode se transformar em uma savana se o mundo não mudar com urgência suas políticas ambientais.
A declaração foi dada ao jornal britânico The Guardian, publicada nesta terça-feira (28/10).
Às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro, Guterres afirmou que os esforços globais para conter o aquecimento do planeta ainda estão muito aquém do necessário.
“Não queremos ver a Amazônia como savana. Mas isso é um risco real se não mudarmos de rumo para reduzir drasticamente as emissões”, afirmou.
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Limite de aquecimento está perto de ser rompido
Guterres destacou que a meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C dificilmente será atingida, já que os compromissos atuais dos países — as chamadas NDCs — indicam uma redução de apenas 10% nas emissões, quando o mínimo necessário seria 60%.
“Estamos falhando em evitar que o limite de aquecimento seja ultrapassado. As consequências serão devastadoras, na Amazônia, na Groenlândia, na Antártida e nos recifes de corais”, alertou.
Mesmo com o cenário preocupante, o secretário-geral manteve um tom de esperança. Ele acredita que ainda é possível reverter a tendência se houver aceleração nas metas de neutralidade de carbono e participação efetiva dos povos indígenas nas discussões da COP30.
“Essa precisa ser a COP da verdade. É essencial ouvir as comunidades indígenas, que protegem a natureza e ajudam a conter as mudanças climáticas”, disse.
Para Guterres, o desafio é global, mas o papel da Amazônia é central. “Precisamos evitar os pontos de não retorno. Se a floresta colapsar, o mundo inteiro sentirá as consequências”, concluiu.
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