quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Amazônia Legal: ensino superior é ativo valioso para 160 municípios

Universidades estão implantadas em 160 municípios da região e são vetor de desenvolvimento.
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Os nove Estados da Amazônia Legal reúnem em 160 de seus municípios 300 campi de Universidades, Institutos Federais de Ensino Superior e Institutos de Pesquisa e Desenvolvimento públicos, todos voltados para a formação e qualificação de mão de obra e pesquisa para resolução dos problemas locais, sobretudo os ambientais.

“A União e os Estados mantém estes centros a um custo elevado de vários bilhões por ano, mas são pouco aproveitados na política ambiental para a Amazônia Legal”, afirmou o diretor-presidente do Museu da Amazônia (Musa), Ennio Candotti, ao tomar posse no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o Conselhão, recriado na última semana pelo governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Os números apresentados por Candotti no Conselhão constam de um mapa elaborado pelo Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, orientado pelo professor-doutor Alfredo Wagner como contribuição para o governo de transição, em dezembro passado, para as políticas de ciência e tecnologia na Amazônia para 2023.

Interiorização no Amazonas

Esse “espalhamento” das instituições de ensino superior e de pesquisas por municípios da Amazônia é um fenômeno recente, dos anos 2000, mas que no Amazonas, por exemplo, começou com o processo de interiorização da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) nos anos 90 durante a gestão do reitor Marcus Barros, quando as unidades acadêmicas da Ufam passaram a ter que manter cursos em municípios polos nas principais regiões do Amazonas.

“Aquele foi um processo importante porque quebrou a ideia de que só podíamos ter universidade em Manaus, cursos superiores em Manaus, pesquisa em Manaus. A gestão do Marcus mudou isso”, afirma o professor Aderli Simões, diretor do polo de Presidente Figueiredo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

Para se ter ideia da importância daquele processo e o impulso ganho nos últimos 20 anos, a Ufam que mantinha cursos apenas em Manaus hoje está espalhada em cinco campi no interior do Amazonas:

  • Benjamin Constant, na região do Alto Solimões;
  • Coari, no Médio Solimões,
  • Itacoatiara e Parintins, no Baixo Amazonas,
  • Humaitá, no Madeira.

UEA completa ciclo

Outro importante fator de espalhamento das instituições de ensino superior foi a criação, em 2001, pelo ex-governador Amazonino Mendes, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), considerada hoje a maior universidade multicampi do País, atendendo com ensino, pesquisa e extensão todos os 62 municípios do Estado.

Por conta de uma saudável concorrência entre Ufam e UEA, hoje temos municípios e regiões atendidos pelas duas instituições, como é o caso de Parintins e o Alto Solimões, que tem um polo da UEA em Tabatinga bem ao lado do polo da Ufam em Benjamin Constant.

“Observando os progressos da interiorização dos institutos, universidades e seus campi na Amazônia Legal, verificamos que é possível hoje colher os frutos do amadurecimento dessa política. Atualmente essas instituições ocupam um grande número de quadros técnicos, qualificados nas mais diversas áreas do conhecimento, residentes de modo permanente em municípios da Amazônia profunda. Locais onde se encontra a maioria dos teatros das batalhas em defesa do desenvolvimento civilizado”, afirma Ennio Candotti em artigo divulgado no Jornal da Ciência.

Professor do Instituto Federal do Amazonas (Ifam/Zona Leste), o filosofo Valmir Seabra destaca a preocupação das instituições de levar cursos e pesquisas observando a vocação regional dos municípios e regiões.

“Não tem sentido levar um curso de agronomia para um município cuja vocação é o turismo”, ponderou, exemplificando que em Parintins os cursos oferecidos pela Ufam (Administração, Comunicação Social/Jornalismo, Serviço Social e Zootecnia; três licenciaturas: Artes Plásticas, Educação Física, Pedagogia) são diversos dos oferecidos pela UEA (licenciaturas em Biologia, Física, Geografia, História, Matemática, Letras, Química, Pedagogia e Tecnologias em Alimentos e em Logística).

Sobre todos estes processos que culminaram com a disseminação de Ciência & Tecnologia pelos mais diversos municípios da Amazônia Legal, Ennio Candotti, que também é presidente de Honra da Socidade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), conclui:

“Uma nova diretriz de fomento à pesquisa e formação de jovens dos povos da floresta nos Institutos e Campi do interior dará continuidade e acelerará o processo de implantação de Institutos do Estado no interior da Amazônia. Promoverá a participação de novos interlocutores, nos programas que buscam, no conhecimento acadêmico e tradicional, os instrumentos de desenvolvimento sustentável e conservação ambiental que perseguimos com determinação”.

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