Em Nova York (EUA), nesta terça-feira (9), o governador do Amazonas, Wilson Lima (União), afirmou que a preservação da Amazônia depende da proteção das populações que vivem na região.
“Se a gente não proteger quem mora na floresta, não tem como a gente proteger os nossos ativos ambientais”, defendeu.
As declarações foram dadas durante o painel “Desafios das grandes reformas e a atratividade do Brasil para novos investimentos internacionais”, no evento Lide Brazil Investment Forum, realizado no Harvard Clube e promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais – Lide.
Ponto central no debate global sobre as mudanças climáticas, a questão ambiental na Amazônia virou um tema que, durante os quatro anos da Presidência de Jair Bolsonaro (PL), tem afastado investidores internacionais do Brasil.
A exigência de que o país adotasse medidas concretas para frear a devastação do bioma travou acordos e afugentou aportes, inclusive, em projetos de desenvolvimento sustentável na região.
“Não tem como você preservar a Amazônia, não tem como você proteger esse patrimônio da humanidade, se você primeiro não proteger as pessoas”, sintetizou o governador, ao destacar, entre outras coisas, a necessidade de manutenção da Zona Franca de Manaus (ZFM) durante o processo de reforma tributária e a necessidade da exploração sustentável dos recursos da região.
Segundo Wilson, “o caminho mais seguro e mais importante para que você possa preservar os nossos ativos ambientais é fortalecer os modelos econômicos que já funcionam nessas regiões”.
A fala foi seguida de dados que relacionam a preservação de aproximadamente 97% da extensão territorial do Amazonas com o fato da Zona Franca ser responsável por gerar emprego, renda e arrecadação.
O governador mostrou ao público que, em 2022, a ZFM faturou cerca de US$ 30 bilhões.
“A Zona Franca de Manaus gera algo em torno de 500 mil empregos diretos e indiretos. Representa 30% do nosso PIB, representa algo em torno de 47% por cento da nossa arrecadação de ICMS”, acrescentou.
Wilson defendeu mudanças na dinâmica da cobrança de impostos como fundamental. Disse que o Brasil precisa simplificar a tributação, diminuir carga tributária para o investidor, mas ressalvou que a reforma “não pode prejudicar modelos econômicos que têm dado certo e que têm garantido o desenvolvimento social sobretudo”.
À plateia de empresários e políticos, o governador disse que outras alternativas econômicas vêm sendo estimuladas pelo governo estadual, como a exploração do gás natural, concessão florestal e pagamento de serviços ambientais.
Ele disse, ainda, que é preciso avançar na construção de um marco legal para o mercado de crédito de carbono. “O Estado do Amazonas tem um potencial muito grande para isso”.
“E aí se alguém disser assim ‘ah, governador, eu tenho interesse em proteger a Amazônia’: vamos proteger, vamos construir uma Escola da Floresta (um projeto do governo), vamos dar condição mínima para quem mora na floresta sobreviver, água potável, energia, comunicação. Porque se a gente não proteger quem mora na floresta, não tem como a gente proteger os nossos ativos ambientais”, concluiu.
Negócios
Aos investidores, o governador destacou que o Amazonas está geograficamente mais próximo da América Central e da América do Norte.
“Tem muita gente no Brasil que diz que o Amazonas é longe. Depende. Porque nós somos a região brasileira que está mais próxima, por exemplo, do México, do Panamá, dos Estados Unidos. Um voo de Manaus para Miami, são cinco horas. Então, eu posso colocar em cinco, seis horas, sete horas um produto como um semicondutor, como um celular, no mercado americano, no mercado da América Central num tempo muito curto. E aí abrem-se as oportunidades de negócio”, disse.
Saiba mais
O Lide Brazil Investment Forum também reuniu governadores de outros estados, além dos prefeitos do Rio de Janeiro e São Paulo. Também participaram do evento outros políticos como ex-presidente Michel Temer (MDB), o presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL).
Entre os agentes econômicos, participaram: o presidente do Bank of América, Alexandre Bettamio; o presidente da Federação Brasileira de Bancos, Isaac Sidney; e o presidente do Conselho Banco Bradesco Luiz Carlos Trabuco Cappi.
Leia mais: