A prisão e o desaparecimento do amazonense Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto, o “Thomazinho Meirelles”, em 1974, será um dos casos que deverá ser investigado pela nova Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, cuja recriação recebeu, nesta segunda-feira (29/4), o aval do Ministério da Justiça.
A comissão foi criada pela primeira vez em1995, durante o primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e funcionou até 2022, quando foi extinta no governo de Jair Bolsonaro (PL). Desde que voltou ao Planalto, Lula é cobrado pelo ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, para reativar a comissão.
O clima político e as divergências do PT com militares das Forças Armadas, contudo, impediam a recriação, que agora vai sair do papel para investigar e, quando possível, tentar reaver os restos mortais de 434 militantes que oficialmente desapareceram durante a ditadura militar (1964-1985)
Thomazinho é o único amazonense desaparecido
Nascido em Parintins, Thomazinho foi para o Rio de Janeiro em 1958 e começou a militância política no movimento estudantil, primeiro na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e, posteriormente, na União Nacional dos Estudantes (UNE).
Na universidade participou do Centro Popular de Cultura da UNE, ingressando nessa época no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, posteriormente, na Ação Libertadora Nacional (ALN).
Para fugir da ditadura usava os codinomes “Luiz” e “Gilberto”. Depois de obter bolsa de estudos na União Soviética, país com o qual o Brasil mantinha relações diplomáticas, entre 1962 e 1969 cursou Filosofia na Universidade de Moscou Lomonosov.
Em 13 de novembro de 1969 retornou ao Brasil. Poucos meses depois passou a viver na clandestinidade. Foi preso no dia 18 de dezembro de 1970, na rua da Alfândega, no Rio de Janeiro, e levado para o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Exército, onde foi interrogado e torturado.
Ficou preso por dois anos no presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois de solto, voltou a viver na clandestinidade, mas seguiu sendo monitorado. A esposa e alguns amigos foram detidos por sua relação com ele antes de voltar a ser preso no dia 7 de maio de 1974, no bairro do Leblon, Rio de Janeiro.
Dessa data em diante nunca mais foi visto. Mesmo depois de desaparecido, foi julgado à revelia pela 2ª Auditoria Militar de São Paulo, que o condenou a dois anos de prisão. Em 28 de janeiro de 1979, o jornal Folha de São Paulo publicou entrevista do general de Brigada Adyr Fiúza de Castro concedida ao jornalista Antônio Henrique Lago.
Na reportagem, Adyr Fiúza de Castro reconheceu a morte de Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto e de mais onze desaparecidos políticos.
Em 23 de julho de 2014, a Comissão Nacional da Verdade ouviu o ex-delegado do DOPS do Espírito Santo, Cláudio Antônio Guerra, que admitiu que pode ter conduzido o corpo de Thomaz à usina onde corpos de adversários da ditadura eram incinerados.
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