Ícone do “período áureo da borracha”, o Amazonas ficou de fora do próximo leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para comercialização de borracha natural.
Marcado para acontecer na próxima segunda-feira (19), o leilão de “Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou sua Cooperativa (Pepro)” de borracha natural será direcionado apenas aos produtores rurais (e/ou suas cooperativas) dos estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Tocantins.
O leilão será para a produção, venda e escoamento de 31.700 toneladas de borracha natural, da safra 2022/2023.
O objetivo é garantir a manutenção dos preços de referência do produto e cumprir a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) do governo federal.
O preço mínimo da borracha natural cultivada é R$ 4,46/kg, para os estados contemplados no aviso do Prepo.
No Amazonas, o preço mínimo por kg definido pelo Governo do Estado para a safra atual é de R$ 2,00.
Borracha no Amazonas: do apogeu à decadência
O Amazonas viveu “período áureo da borracha da Amazônia” entre os séculos XIX e XX.
Contudo, o cultivo de seringueiras amazônicas na Ásia – biopirateadas – levou à decadência do modelo extrativista da região, que ainda teve uma sobrevida até os anos 1940.
Em 2021, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado produziu apenas 22 toneladas, enquanto que a produção nacional daquele ano foi de 399.751 toneladas.
A demanda anual do produto somente nas fábricas de pneus de motocicletas e bicicletas do Polo Industrial de Manaus (PIM) gira em torno de 2,5 mil toneladas.
Isso faz com que as empresas comprem a matéria-prima de outros estados e importem da Malásia, Indonésia, Tailândia e países africanos.
Em abril, o Governo do Amazonas reforçou que tem o compromisso de “apoiar a reestruturação e estimular a retomada da cadeia produtiva da borracha nativa, extrativista, de forma sustentável”.
Mais informações sobre leilão
As quantidades de borracha natural (em toneladas) para o Aviso N°28/2023, do leilão do Prepo, são de:
- 2 mil (BA)
- 20 mil (SP)
- 2 mil (MT)
- 1 mil (ES)
- 2 mil (MG)
- 2 mil (MS)
- 300 (PR)
- 400 (TO)
- 2 mil (GO)
Segundo a Conab, no Pepro, o prêmio é ofertado ao produtor ou cooperativa que efetue a venda do produto pela diferença entre o preço mínimo e o valor do Prêmio Equalizador arrematado, e comprove o escoamento nas condições previstas no aviso.
O RealTime1 pediu esclarecimentos da Conab sobre a ausência do Amazonas no leilão e aguarda retorno.