Ao lado da Bahia e do Pará, o Amazonas ocupa o topo do ranking de maior população de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Esse número reflete também no número de empreendedores, colocando o Amazonas na terceira posição no ranking nacional, com 81% de empreendedores que se declaram negros.
Acima do Amazonas apenas o Pará, também com 81%, e o Amapá com 83% de negros donos de negócios. O Rio Grande do Sul é o que tem menor índice de negros empreendedores com apenas 15%.
Segundo o “Atlas dos Pequenos Negócios”, elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a maior proporção de empreendedores negros nos dois estados do Norte é destacada como a principal característica da região.
Em um estudo sobre o empreendedorismo realizado pelo Sebrae em 2021, foi constatado que essa população foi mais afetada pela crise da pandemia da Covid-19 e teve uma recuperação mais tímida.
Já a pesquisa Afroempreendedorismo Brasil, feita pelo Movimento Black Money em parceria com Inventivos e RD Station, mostrou que o empreendedorismo negro é caracterizado pela solidão. Isso porque 63,2% dos entrevistados em todo o país atuavam sozinhos no empreendimento e apenas 1,3% tinham de 10 a 50 colaboradores.
O sociólogo e professor, Gilson Gil, acredita que, provavelmente, mais negros perderam empregos na pandemia ou ficaram em situação ainda mais vulnerável. Isso os levou a buscar alternativas em maior quantidade.
“As diferenças de ganhos, creio, se devem aos empreendedores negros, em grande parte, terem menos capital. Por isso, seus empreendimentos são menores e de baixa lucratividade. Isso também se relaciona com o fato de atuarem sozinhos, pois não possuem capital para contratar mais funcionários.”
Além disso, o sociólogo acredita que o grande número de empreendedores negros pode ter relação com o modelo econômico, centrado na Zona Franca de Manaus.
“Os negros, por terem menor escolaridade, acabam fora do Polo Industrial de Manaus, buscando fontes individuais de renda.” concluiu.
Empresários negros ganham menos
Segundo dados do levantamento do Sebrae com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre a diferença de ganho mensal por raça mostram que os empresários negros tem rendimento médio 32% inferior ao dos brancos.
Enquanto a média mensal de ganhos dos brancos é de R$ 3.040, a dos empresários negros gira na média dos R$ 2.079, ou seja, uma diferença de R$ 961.
Quando se leva em consideração raça e gênero, os dados mostram que as mulheres negras tem média de ganho ainda menor. O homem branco tem média de ganhos de R$ 3.231 e a mulher branca ganha em média R$ 2.706. Já o homem negro tem média de ganho de R$ 2.188 enquanto a mulher negra tem a menor média com R$ 1.852.
Apesar de ganharem menos, os negros são maioria no empreendedorismo representando 52% dos 29,9 milhões de donos de negócios. São 15,6 milhões de negros contra 13,9 de brancos. Outros 400 mil empreendedores são pardos e de outras raças.
Da Redação
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