quarta-feira, 23 de setembro de 2026

AM quer novo teto para precatórios após dívida crescer oito vezes

Projeto de lei limita até 2026 as despesas anuais por condenação judicial, nos mesmos termos da emenda aprovada pelo Congresso Nacional oriunda da PEC da Transição.
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Salários da Sefaz serviam de base para os vencimentos dos servidores da Sedecti (Lucas Silva/Secom)

O governador Wilson Lima (União) enviou à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) um projeto de lei que limita o pagamento de precatórios do Estado nos mesmos parâmetros da Emenda à Constituição Federal 126/2022, oriunda da PEC da Transição, que limitou o pagamento dos precatórios da União.

Os precatórios são despesas com pagamentos em virtude de sentença judiciária contra o Estado.

A proposta do governo é criar um limite anual a partir da seguinte fórmula: o valor reservado no orçamento para essa finalidade não poderá exceder o total gasto em 2016, somado aos restos a pagar que ficaram para 2017. Esse valor será corrigido pela inflação oficial (IPCA) de cada ano.

A fórmula seria usada até o exercício financeiro de 2026.

Variação ‘extraordinária’

O novo projeto de lei (277/2023) altera a lei aprovada no fim do ano passado que já parcelava o valor dos precatórios a serem pagos a partir deste ano. Ao todo, são R$ 409,5 milhões.

Para justificar a inclusão do limite, o governador ressalta que despesas com o pagamento dos precatórios por parte do Estado do Amazonas tiveram uma variação “extraordinária” nos últimos três anos, saindo de R$ 47,9 milhões, em 2021, para os R$ 409,5 milhões previstos para 2023, um salto de mais 754%.

Em comparação com o valor de 2019 (R$ 20,8 milhões), o aumento é de 1.868%.

“É, pois, nítido o impacto inesperado que o referido aumento acarreta nas contas do erário estadual, agravado mais ainda se considerarmos o atual estágio de investimentos públicos encampados pelo Estado do Amazonas, mormente em função da severa crise econômico-sanitária enfrentada a partir de 2020”, destaca Wilson Lima na mensagem governamental aos deputados.

O governador diz que o “súbito e extraordinário” crescimento das despesas com os pagamentos dos precatórios tem posto em xeque a continuidade das políticas públicas de atenção à população amazonense, “sobretudo aquela mais vulnerável sob uma perspectiva socioeconômica”.

O contexto, observa Wilson, não é exclusivo do Amazonas, “sendo enfrentada situação semelhante por todos os entes subnacionais, bem como pela própria União”.

Ele acrescenta que o Congresso Nacional aprovou a PEC da Transição, com um artigo semelhante ao do projeto de lei estadual, que previu limite para gastos com o pagamento de precatórios federais.

De acordo com a mensagem, a folga orçamentária obtida será destinada “exclusivamente para custear investimentos na área da seguridade social e em programa de transferência de renda”.

O projeto deu entrada na ALE-AM nesta quinta-feira (23) e deve constar na pauta de tramitação das sessões da próxima semana. O governo pediu urgência na análise da matéria.

Da Redação

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