quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Alta do preço da gasolina e da inflação afetam reeleição de Bolsonaro

Para analistas ouvidos pelo RealTime1, a inflação será usada por candidatos da oposição para minar a reeleição do presidente Bolsonaro, principalmente por Lula.
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A disparada da inflação, que já alcança 11,73%, corroendo o poder de compra da classe média e de classes populares, terá impacto na corrida presidencial de outubro. De acordo com analistas ouvidos pela reportagem, a inflação de dois dígitos prejudica frontalmente a candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) e dá munição para candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar de ter desacelerado 0,47% em maio, a inflação medida através do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ainda segue com dois dígitos no acumulado dos últimos 12 meses. 

Para Helso Ribeiro, cientista político e advogado, desde a redemocratização do país o descontrole inflacionário vem influenciando a votação dos presidenciáveis. Ele lembra que na eleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1994, o então candidato ganhou por estar “etiquetado” na candidatura dele a ideia de um controle da inflação.

“O presidente Fernando Henrique Cardoso foi o único que ganhou as eleições no primeiro turno, as duas vezes, justamente por estar etiquetado nele um controle da inflação. A partir daí todos os presidentes subsequentes tiveram muito cuidado com isso”, analisou Helso.

Subida de preços será usada por candidatos da oposição

Ribeiro afirma também que a alta da inflação fará parte do arsenal dos candidatos da oposição usada para desgastar o presidente Bolsonaro em possíveis participações do candidato à reeleição em debates eleitorais.

“Não só o ex-presidente Lula usará esse fato negativo do governo Bolsonaro, mas também outros candidatos da oposição vão salientar o desande da economia brasileira com o nível de inflação alto”, complementou.

Segundo a economista Denise Kassama, a preocupação do presidente Bolsonaro é tão evidente com a inflação que o presidente tenta reverter o quadro negativo mexendo na alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de arrecadação dos governos estaduais. 

“Economicamente o impacto dessas reduções não será tão significante para o consumidor final, mas o governo quer mostrar que ele insiste muito na questão dos impostos sobre os combustíveis. É uma medida eleitoreira”, destaca a economista.  

Kassama argumenta que a inflação é “democrática” e que ela afeta todas as classes de maneira distintas a depender do grau de renda. Ela emenda explicando que quem vai sofrer mais é quem tem menos. Ela ainda ressaltou que o país retornou ao mapa da fome, registrando 33 milhões de pessoas passando fome. 

Eleitorado responsabiliza Bolsonaro pela alta dos preços

De acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) no mês passado, 71% dos respondentes afirmaram que a inflação e o preço dos produtos “aumentaram muito” nos últimos meses.

Já a pesquisa da PoderData. realizada de 5 a 7 de junho, aponta que 42% da população brasileira responsabiliza o presidente Bolsonaro pela alta de preços no Brasil.

Enquanto que 18% atribui a culpa da inflação alta aos governadores dos Estados. As taxas não variaram desde o último levantamento. Outros 13% citam a pandemia do coronavírus como a principal responsável, enquanto a guerra na Ucrânia é mencionada por 8%. 

Texto: Jefferson Ramos

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