O ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas e, atualmente, adjunto de uma delegacia na baixada fluminense (RJ), Alexandre Saraiva, postou em suas redes sociais uma dura resposta às declarações do Ministro da Defesa, Walter Braga Netto, de que sem voto impresso o Brasil pode não ter eleição em 2022, numa clara ameaça ao Congresso Nacional que examina essa matéria a partir de um projeto de lei da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL/DF).
Saraiva alertou que o ministro corre risco de prisão por crime de desordem e intenção de prejudicar os trabalhos visando a eleição.
“Espero que não tenha acontecido. Bom lembrar o disposto no Código Eleitoral artigo 175 (24): promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais. Pena de reclusão de um a quatro anos”, escreveu Alexandre Saraiva.
O delegado, tido até abril deste ano como um aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), perdeu o posto de superintendente no Amazonas após entrar em choque com o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a quem acusou de advocacia administrativa e tentativa de atrapalhar ação policial no caso da maior apreensão de madeira ilegal da história da Polícia Federal.
Demitido, Alexandre Saraiva foi realocado na delegacia da PF no município de Volta Redonda (RJ), mas antes participou duas vezes das tradicionais transmissões ao vivo que Bolsonaro faz às quintas-feiras. Nas oportunidades, Saraiva falou do trabalho da corporação no Amazonas.
O delegado, tido como um dos principais aliados do presidente na PF, teve ainda o nome especulado para assumir a superintendência do Rio de Janeiro durante o episódio que culminou com a demissão do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. O ex-juiz saiu do governo acusando o presidente de intromissão na Polícia Federal, fato que é alvo de um inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda sobre as ameaças golpistas de Braga Neto e interagindo com um seguidor que perguntou se ele teria coragem para prender o militar, Saraiva foi lacônico: “Não subestime nossa disposição para defender o cumprimento das leis. Dura lex, sed Lex”.
Texto: Gerson Severo Dantas
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