O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sugeriu ajustes na proposta que acaba com a escala 6×1 e defendeu que a PEC passe pelas comissões da Casa antes de ser votada em plenário. A posição foi destacada nesta quarta-feira, 4 de junho, após pressão de parlamentares sobre a tramitação do texto.
A proposta, aprovada pela Câmara, se tornou uma das principais pautas trabalhistas do ano. A escala 6×1, na qual o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um, é comum em setores como comércio, serviços, alimentação, limpeza, segurança, hotelaria e atendimento.
Ao defender tramitação pelas comissões, Alcolumbre sinaliza que o Senado não pretende apenas carimbar o texto vindo da Câmara. Na prática, a proposta pode passar por audiências, emendas e negociações com setores empresariais, centrais sindicais e governo federal.
O movimento tem leitura política. A pauta tem forte apelo popular, mas também enfrenta resistência de segmentos produtivos que cobram transição, segurança jurídica e adaptação de escalas. O Senado tende a ser o espaço de tentativa de moderação do texto.
Para trabalhadores, a preocupação é que os “ajustes” virem diluição. O fim da 6×1 ganhou força porque fala de tempo, descanso, saúde mental, convivência familiar e qualidade de vida. Qualquer mudança que prolongue demais a transição ou crie exceções amplas pode reduzir o impacto social da proposta.
A crítica necessária é que o debate precisa ser transparente. Se o Senado quiser alterar o texto, deve explicar quem ganha, quem perde e qual problema pretende corrigir. Modernizar relações de trabalho não pode ser apenas preservar o caixa empresarial. Também precisa devolver tempo ao trabalhador.