domingo, 27 de setembro de 2026
DE VOLTA À ESQUERDA

Agora no PT, trajetória de Marcelo se assemelha a de Ciro Gomes

Assim como o político cearense, Marcelo Ramos tem trajetória partidária que vai de partidos de esquerda a partidos de direita do espectro ideológico
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Marcelo Ramos é consultor da Petrobras
O ex-deputado federal, que hoje trabalha na Petrobras, disse ao RealTime1 que não queria voltar a disputar eleições

O ingresso no Partido dos Trabalhadores do ex-deputado federal Marcelo Ramos faz sua trajetória política assemelhar-se a do ex-ministro Ciro Gomes que, atualmente no PDT, já buscou abrigo em outros seis partidos de diferentes orientações ideológica, indo da direita para a esquerda e vice-versa.

Assim como Ciro Gomes, até os adversários reconhecem os méritos, a capacidade política e as ideias de Marcelo Ramos, que começou a vida pública no movimento estudantil filiado ao PCdoB, onde liderou a União da Juventude Socialista (UJS) na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Elegeu-se suplente de vereador na onda ‘esquerdista’ comandada por Serafim Corrêa na eleição municipal de 2004 e ao longo da gestão de ‘Sarafa‘ começou o afastamento do partido de Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin.

Aceitou um posto na Secretaria Municipal de Esportes e depois presidiu o então Instituto Municipal de Transportes Urbano (IMTU) da gestão de Serafim Corrêa, que em 2007 sofria com a baixa popularidade e de quem o PCdoB queria distância na eleição de 2008.

Com as rusgas entre os comunistas, Marcelo ainda disputou a eleição municipal de 2008 pelo partido, sendo eleito vereador titular, o que não reduziu as tensões entre as partes. Dois anos depois migrou para o PSB e se elegeu deputado estadual para o período 2011-2014.

Em 2014 disputou o Governo do Estado e ganhou notoriedade por, num debate televisivo, mandar o senador Eduardo Braga (MDB), que também disputava o posto, se “ajoelhar no milho” para pagar os erros dele em gestões passadas (2003-2010). Aquela eleição foi vencida por José Melo (Pros), que foi cassado, sendo feita uma eleição suplementar em 2017.

Marcelo faz curva à direita

Antes, para disputar a eleição para prefeito de Manaus contra o então titular do posto, Arthur Neto (então no PSDB), Marcelo Ramos fez uma conversão à direita e ingressou no PR, Partido Republicano. Ele fez muito votos e quase vence Arthur.

Com este capital político, o nome de Marcelo ganhou força para disputar a eleição suplementar para o Governo do Estado em 2017, mas optou por, ainda no PR, ser candidato a vice na chapa de Eduardo Braga, a quem tinha pedido para “ajoelhar no milho”. Essa situação foi explorada pelo vencedor do pleito suplementar, o ex-governador Amazonino Mendes.

Marcelo Ramos reconhece que se aliar a Eduardo Braga naquele momento atrasou a trajetória política dele, mas após um ano de recolhimento conseguiu se eleger deputado federal pelo PR (hoje, PL), partido comandado pelo ‘enrolado’ Valdemar da Costa Neto.

De direita civilizada, o PL radicalizou com a entrada no partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem na condição de vice-presidente da Câmara Federal, Marcelo Ramos fazia o enfrentamento, apesar de ter sido fundamental para aprovar a Reforma Previdenciária encaminhada pelo governo em 2019.

Fora do PL, Marcelo Ramos fez uma correção de rota ideológica em direção ao centro e se filiou ao PSD, partido do senador Omar Aziz (PSD) e que tem na presidência o ex-ministro Gilberto Kassab, hoje secretário da prefeitura de São Paulo, cujo titular Ricardo Nunes (MDB) busca o apoio de Bolsonaro para se reeleger em outubro.

Filiado ao PSD, onde não conseguiu se reeleger deputado federal em 2022, Marcelo Ramos surpreendeu a todos na última terça-feira (2/4) ao confirmar que estria se filiando ao PT e agora volta a uma sigla de esquerda para ser pré-candidato à Prefeitura de Manaus

O movimento não foi previsto por nenhum analista uma vez que, por diversas vezes, inclusive ao RealTime1, Marcelo disse que estava bem longe da política e se dedicando ao cargo de assessor da presidência da Petrobras e à família.

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