A Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua – Seção Sindical do ANDES-SN) reagiu ao pedido do ministro da Defesa, Braga Netto, para que seja comemorado o o aniversário de 57 anos do golpe militar de 1964, que ele chama de movimento de 31 de março de 1964.
A Adua, portanto, emitiu uma nota de repúdio na qual recrimina a iniciativa de se comemorar, “sob farsa de evento cívico, o golpe empresarial-militar de primeiro de abril de 1964”.
“Como comemorar um regime que afrontou e interrompeu a já incipiente construção de uma República que até hoje, 2021, ainda não garantiu ao povo brasileiro a efetivação dos direitos sociais formalmente inscritos na Constituição de 1988?”, questiona a nota.
Primeiro ato do ministro
No primeiro ato público como ministro da defesa, Braga Netto, publicou uma ordem do dia na qual afirma que o movimento de 1964 é “parte da trajetória histórica do Brasil” e que “assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”.
Confira a íntegra da nota da Adua:
NOTA DE REPÚDIO
Não à falsificação da história. Não ao apagamento da memória. Em defesa do Estado Democrático de Direito e dos Direitos assegurados na Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988. Ditadura e mordaça nunca mais
A Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA – Seção Sindical do ANDES-SN), manifesta o seu mais veemente repúdio à iniciativa de se comemorar, sob farsa de evento cívico, o golpe empresarial-militar de primeiro de abril de 1964.
Como comemorar um regime que afrontou e interrompeu a já incipiente construção de uma República que até hoje, 2021, ainda não garantiu ao povo brasileiro a efetivação dos direitos
sociais formalmente inscritos na Constituição de 1988?
Morte, tortura, violação dos direitos humanos, banimento, exílio, censura e repressão não podem ser objetos de comemoração. O que se deve comemorar e fortalecer é a volta do país aos caminhos da democracia. Não podemos retroceder de direitos duramente conquistados.
Em defesa do direito à memória e à verdade dos mortos insepultos e em respeito à dor de seus familiares, que nada têm a comemorar do regime de exceção implantado em 1964; em respeito
às mais de 300 mil vidas tragadas pela pandemia de Covid-19, sobretudo das classes subalternizadas, dos povos indígenas e da população negra; em defesa dos serviços e servidores públicos, notadamente da saúde e da educação; em defesa da Universidade Pública, da vacinação já para todos e da ajuda emergencial aos vulnerabilizados pelo desemprego, digamos sim à vida. Ditadura e mordaça nunca mais!
Diretoria da ADUA – Seção Sindical (biênio 2020-2022)
Manaus (AM), 31 de março de 2021