quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Adua repudia comemoração de aniversário de 57 anos do golpe militar

Nota da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas afirma que morte, tortura, violação dos direitos humanos e repressão não podem ser objeto de comemoração.
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Enade foi adiado em 2020
O Inep ainda não anunciou a data exata para aplicação do exame (Foto: Divulgação)

A Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua – Seção Sindical do ANDES-SN) reagiu ao pedido do ministro da Defesa, Braga Netto, para que seja comemorado o o aniversário de 57 anos do golpe militar de 1964, que ele chama de movimento de 31 de março de 1964.

A Adua, portanto, emitiu uma nota de repúdio na qual recrimina a iniciativa de se comemorar, “sob farsa de evento cívico, o golpe empresarial-militar de primeiro de abril de 1964”.

“Como comemorar um regime que afrontou e interrompeu a já incipiente construção de uma República que até hoje, 2021, ainda não garantiu ao povo brasileiro a efetivação dos direitos sociais formalmente inscritos na Constituição de 1988?”, questiona a nota.

Primeiro ato do ministro

No primeiro ato público como ministro da defesa, Braga Netto, publicou uma ordem do dia na qual afirma que o movimento de 1964 é “parte da trajetória histórica do Brasil” e que “assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”.

Confira a íntegra da nota da Adua:

NOTA DE REPÚDIO

Não à falsificação da história. Não ao apagamento da memória. Em defesa do Estado Democrático de Direito e dos Direitos assegurados na Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988. Ditadura e mordaça nunca mais

A Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA – Seção Sindical do ANDES-SN), manifesta o seu mais veemente repúdio à iniciativa de se comemorar, sob farsa de evento cívico, o golpe empresarial-militar de primeiro de abril de 1964.

Como comemorar um regime que afrontou e interrompeu a já incipiente construção de uma República que até hoje, 2021, ainda não garantiu ao povo brasileiro a efetivação dos direitos
sociais formalmente inscritos na Constituição de 1988?

Morte, tortura, violação dos direitos humanos, banimento, exílio, censura e repressão não podem ser objetos de comemoração. O que se deve comemorar e fortalecer é a volta do país aos caminhos da democracia. Não podemos retroceder de direitos duramente conquistados.

Em defesa do direito à memória e à verdade dos mortos insepultos e em respeito à dor de seus familiares, que nada têm a comemorar do regime de exceção implantado em 1964; em respeito
às mais de 300 mil vidas tragadas pela pandemia de Covid-19, sobretudo das classes subalternizadas, dos povos indígenas e da população negra; em defesa dos serviços e servidores públicos, notadamente da saúde e da educação; em defesa da Universidade Pública, da vacinação já para todos e da ajuda emergencial aos vulnerabilizados pelo desemprego, digamos sim à vida. Ditadura e mordaça nunca mais!

Diretoria da ADUA – Seção Sindical (biênio 2020-2022)
Manaus (AM), 31 de março de 2021

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