quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A guerra de tarifas de Trump e o apelo da indústria brasileira, que ainda aposta no diálogo

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Exportações brasileiras de ferro, aço e alumínio sofrem efeitos das tarifas de Trump.
(Foto: divulgação)

O anúncio de tarifas adicionais de 10% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gerou preocupação na indústria nacional, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendendo uma análise detalhada e a continuidade do diálogo para minimizar os impactos.

Em resposta ao “tarifaço”, o Brasil aprovou medidas de reciprocidade no Congresso Nacional, com a intenção de aplicar tarifas equivalentes aos produtos dos EUA.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), principal entidade do setor, destacou a importância de uma análise aprofundada das novas tarifas e a necessidade de manter o diálogo bilateral com os Estados Unidos para mitigar os impactos da medida.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o Brasil deve buscar alternativas para reduzir os efeitos negativos dessa tarifa no comércio com os EUA.

A tarifa adicional de 10% será implementada a partir de 5 de abril de 2025 e afetará todos os países, com exceção daqueles com acordos especiais.

Além disso, tarifas mais altas também serão aplicadas a países com os maiores déficits comerciais com os EUA, como China (34%), União Europeia (20%) e Japão (24%).

A tarifa de 25% sobre aço, alumínio e veículos será mantida, o que tem implicações diretas para o Brasil, grande exportador desses produtos para o mercado norte-americano.

EUA: principal destino das exportações das indústrias brasileiras

Os Estados Unidos continuam sendo o maior destino das exportações brasileiras no setor de indústria de transformação, com destaque para produtos de maior valor agregado, como óleos de petróleo, ferro fundido, aviões e café.

Segundo dados levantados pelo CNI, em 2024, o Brasil exportou R$172,2 bilhões em produtos para os EUA, evidenciando a importância dessa relação para a economia brasileira.

A cada R$5,4 bilhão exportado para os Estados Unidos, o Brasil gerou cerca de 24,3 mil empregos e R$3,6 bilhões em produção.

Confira os principais produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos e sua participação nas exportações:

  1. Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos – os EUA são destino de 11,5% das exportações do produto;
  2. Outros produtos semimanufaturados, de ferro ou aços, não ligados, contendo em peso <0,25% de carbono, de seção transversal retangulares – os EUA lideram como destino de 74,5% das exportações desse produto; 
  3. Ferro fundido bruto não ligado, contendo, em peso <=0,5% de fósforo – os EUA lideram como destino de 71% das exportações do produto; 
  4. Café não torrado, não descafeinado – os EUA são destino de 18% das exportações do produto; 
  5. Aviões e outros veículos aéreos, de peso> 15.000 kg, vazios – os EUA lideram como destino de 54,5% das exportações do produto; 
  6. Pasta química de madeira de não conífera, à soda ou sulfato, semibranqueada ou branqueada – os EUA são destino de 14,7% das exportações do produto; 
  7. Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aços – os EUA lideram como destino de 94,9% das exportações do produto; 
  8. Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e preparações, exceto desperdícios – os EUA são destino de 7,1% das exportações do produto; 
  9. Aviões e outros veículos aéreos, de peso > 2.000 kg e <= 15.000 kg, vazios – os EUA lideram como destino de 97,4% das exportações do produto; 
  10. Bulldozers e angledozers, de lagartas, autopropulsores – os EUA lideram como destino de 58,7% das exportações do produto; 
  11. Carregadoras e pás carregadoras, de carregamento frontal, autopropulsores – os EUA lideram como destino de 57,3% das exportações do produto; 
  12. Carnes de bovino, desossadas, congeladas – os EUA são destino de 4,6% das exportações do produto; 
  13. Madeira de coníferas, perfilada – os EUA lideram como destino de 98% das exportações do produto; 
  14. Óleos leves e preparações – os EUA lideram como destino de 46,7% das exportações do produto; 
  15. Preparações alimentícias e conservas, de bovinos – os EUA lideram como destino de 59,7% das exportações do produto; 
  16. Minérios de ferro aglomerados e seus concentrados – os EUA são destino de 12,8% das exportações do produto; 
  17. Óxidos de alumínio, exceto corindo artificial – os EUA são destino de 13,8% das exportações do produto; 
  18. Sucos de laranja não congelados, não fermentados, com valor Brix <= 20 – os EUA lideram como destino de 54% das exportações do produto; 
  19. Outras partes para motores diesel ou semidiesel – os EUA lideram como destino de 30,8% das exportações do produto; 
  20. Niveladores – os EUA lideram como destino de 45,3% das exportações do produto.

Fortalecimento da relação bilateral e medidas de compensação

Para Ricardo Alban, presidente da CNI, o crescimento do comércio bilateral dependerá de uma estratégia de fortalecimento das relações comerciais com os Estados Unidos, além de medidas que mitiguem os impactos dessa tarifa adicional.

O setor industrial brasileiro deverá continuar investindo no diálogo e buscar soluções que permitam preservar a competitividade da indústria brasileira.

O Congresso Nacional, ao aprovar o projeto de reciprocidade, enviou uma mensagem clara de que o Brasil não aceitará medidas que prejudiquem sua indústria e seu comércio exterior, mas reagirá com medidas equilibradas e estratégicas.

*Com informações da Agência de Notícias da Indústria

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