Um dos compromissos do presidente Lula durante a corrida eleitoral, ano passado, foi baratear o preço do botijão de gás. Mas as reduções, pela Petrobras, não surtiram efeito para os amazonenses, que estão pagando R$ 123,96 pela botija de 13 quilos, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Este ano, a Petrobras anunciou ao menos duas diminuições nos valores do gás. A maior delas em maio, quando resolveu mudar a política de paridade internacional, que mantinha os preços vinculados ao dólar e ao mercado internacional de petróleo. Naquela ocasião, só para o gás de cozinha a redução anunciada foi de 21,3%.
No último dia 30 de junho, nova diminuição foi feita. Dessa vez, um pouco menor, de 3,9%. Entretanto, esses preços não baixam para os consumidores. A análise dos dados da ANP mostram que, na prática, as reduções da Petrobras apenas contiveram a escalada inflacionária do gás de cozinha aqui no estado.
Em maio deste ano, o preço médio final da botija de 13kg para o consumidor foi de R$ 123,96. No mesmo período do ano passado, a botija custava R$ 119,32.
A questão é: “por que o preço no AM não baixa?”
Mesmo com os reajustes feitos pela Petrobras o preço da botija de gás de cozinha não sofre redução para o consumidor porque a refinaria que atende o Amazonas é privatizada.
Dessa forma, os preços praticados são definidos pela empresa que detém o monopólio da região.
Segundo o economista Edson Fernandes, pela Ciência Econômica, por se tratar de um tipo de monopólio natural, essa atividade deveria ser exercida pelo Estado e não por uma empresa particular.
Para o economista, a única alternativa para que o consumidor amazonense venha a ter expectativas de menor preço seria uma “desprivatização” da refinaria, o que ele entende, ser bastante difícil já que não há interesse na discussão técnica do assunto.
Meses eleitorais tiveram menor preço, em 2022
Motivo de reclamação frequente das donas de casa, o preço do botijão de gás ocupou o programa eleitoral dos dois principais candidatos na corrida presidencial, em 2022. Na época, o ex-presidente Jair Bolsonaro atribuía a alta de preços à guerra na Ucrânia, à pandemia de Covid-19 e a suposta alta de impostos cobrados pelos governadores.
De maio de 2022 a maio de 2023, os botijões tiveram os menores valores no Amazonas, justamente, nos meses eleitorais. Em outubro, a média de preços foi de R$ 113,62. Já em novembro, foi de R$ 113,20.
Em 2023, o preço médio da botija permaneceu acima de R$ 122,00.
Mesmo com redução do preço do produtor de R$ 54,66 (maio/22) para R$ 53,78 (maio/23) e do ICMS de R$ 18,85 em maio do ano passado para R$ 16,34 em maio deste ano, o consumidor amazonense não sentiu os efeitos no seu bolso.
Em contrapartida, as margens brutas de distribuição e de revenda aumentaram. A margem bruta de distribuição saltou de R$ 37,09, em maio de 2022, para R$ 40,71 em maio deste ano, de acordo com a ANP.

Já a margem bruta de revenda aumentou de R$ 8,72 (maio/22) para R$ 13,13 (maio/23).
Dessa forma, o revendedor compra a botija na distribuidora pelo preço de R$ 110,83, inclui os R$ 13,30 de margem de lucro e repassa ao consumidor no valor de R$ 123,96.
Em seu site, a Petrobras explica como funciona a composição de preços. A média de valores da petrolífera diverge dos dados divulgados pela ANP.

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