sábado, 26 de setembro de 2026

Membros da bancada do AM são contrários à descriminalização do uso de drogas

Julgamento discute possibilidade de descriminalização do porte de drogas para consumo próprio.
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Maconha é apontada como a droga mais consumida no Brasil (Arquivo/Agência Brasil)

Quatro dos 11 membros da bancada amazonense no Congresso Nacional informaram ao RealTime1 que são contra a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal.

São eles: os deputados Capitão Alberto Neto (PL), Saullo Vianna (União) e Silas Câmara (Republicanos) e o senador Plínio Valério (PSDB). Os demais parlamentares ou suas assessorias não responderam ao contato.

O tema está sob análise do Judiciário.

Um julgamento que discute a possibilidade de descriminalização do porte de drogas para consumo próprio está pautado para a sessão desta quarta-feira (21) do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Recurso Extraordinário (RE) 635.659 trata sobre a constitucionalidade do artigo 28 da lei 11.343/2006, conhecida como a Lei de Drogas, que entende como crime comprar, guardar ou portar drogas para uso pessoal.

Não há pena de prisão para o crime, mas o acusado sofre todas as consequências de um processo penal e, caso condenado, deixa de ser réu primário.

De amplo impacto na política criminal brasileira, o RE 635.659 começou a ser discutido em 2015 e foi paralisado em 2017.

O julgamento tem repercussão geral reconhecida. Dessa forma, sua decisão servirá de parâmetro para outros casos.

Quais os argumentos contra a Lei de Drogas?

Para a Defensoria Pública de São Paulo (DPE-SP), autora do recurso, a lei viola os princípios da intimidade e da vida privada.

O principal argumento contra o dispositivo é de que o uso de drogas não representa uma afronta apenas à saúde pessoal do próprio usuário.

Como está o placar da votação no STF?

Três ministros já votaram.

Para o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, a conduta do usuário de drogas não é crime. Em seu voto, proferido há cerca de oito anos, o consumo de qualquer substância é uma decisão privada, e eventual dano causado recai sobretudo sobre a saúde do próprio usuário.

“Está-se a desrespeitar a decisão da pessoa de colocar em risco a própria saúde”, escreveu à época. 

Gilmar propôs que a posse de quaisquer drogas para uso pessoal não seja considerada crime, sob pena de ofensa à privacidade e à intimidade do usuário.

Já os ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin votaram pela descriminalização da posse apenas de maconha.

Em seu voto, Barroso admitiu ser inconsistente descriminalizar o consumo ao mesmo tempo em que a produção e a distribuição de drogas seguem sendo crimes. Ele defendeu, contudo, que caberá ao Legislativo, um dia, equacionar tal inconsistência por meio de eventual legalização. 

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