quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Amazonas fica de fora de leilão da Conab para borracha natural

Estado foi o ícone do 'período áureo da borracha', mas sua produção extrativista entrou em decadência.
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Látex em estado bruto extraído em Itacoatiara sendo levado para indústria na Bahia (ADS/reprodução)

Ícone do “período áureo da borracha”, o Amazonas ficou de fora do próximo leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para comercialização de borracha natural.

Marcado para acontecer na próxima segunda-feira (19), o leilão de “Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou sua Cooperativa (Pepro)” de borracha natural será direcionado apenas aos produtores rurais (e/ou suas cooperativas) dos estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Tocantins.

O leilão será para a produção, venda e escoamento de 31.700 toneladas de borracha natural, da safra 2022/2023.

O objetivo é garantir a manutenção dos preços de referência do produto e cumprir a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) do governo federal.

O preço mínimo da borracha natural cultivada é R$ 4,46/kg, para os estados contemplados no aviso do Prepo.

No Amazonas, o preço mínimo por kg definido pelo Governo do Estado para a safra atual é de R$ 2,00.

Borracha no Amazonas: do apogeu à decadência

O Amazonas viveu “período áureo da borracha da Amazônia” entre os séculos XIX e XX.

Contudo, o cultivo de seringueiras amazônicas na Ásia – biopirateadas – levou à decadência do modelo extrativista da região, que ainda teve uma sobrevida até os anos 1940.

Em 2021, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado produziu apenas 22 toneladas, enquanto que a produção nacional daquele ano foi de 399.751 toneladas.

A demanda anual do produto somente nas fábricas de pneus de motocicletas e bicicletas do Polo Industrial de Manaus (PIM) gira em torno de 2,5 mil toneladas.

Isso faz com que as empresas comprem a matéria-prima de outros estados e importem da Malásia, Indonésia, Tailândia e países africanos.

Em abril, o Governo do Amazonas reforçou que tem o compromisso de “apoiar a reestruturação e estimular a retomada da cadeia produtiva da borracha nativa, extrativista, de forma sustentável”.

Mais informações sobre leilão

As quantidades de borracha natural (em toneladas) para o Aviso N°28/2023, do leilão do Prepo, são de:

  • 2 mil (BA)
  • 20 mil (SP)
  • 2 mil (MT)
  • 1 mil (ES)
  • 2 mil (MG)
  • 2 mil (MS)
  • 300 (PR)
  • 400 (TO)
  • 2 mil (GO)

Segundo a Conab, no Pepro, o prêmio é ofertado ao produtor ou cooperativa que efetue a venda do produto pela diferença entre o preço mínimo e o valor do Prêmio Equalizador arrematado, e comprove o escoamento nas condições previstas no aviso.

O RealTime1 pediu esclarecimentos da Conab sobre a ausência do Amazonas no leilão e aguarda retorno.

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