A aproximação dos governos do Brasil e da Venezuela, sinalizada nesta semana, seria boa para as exportações do Amazonas, uma vez que o País caribenho está entre os três que mais compram produtos feitos no Estado, revezando-se com Colômbia e China no primeiro lugar deste ranking.
Conforme dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciências, Tecnologia e Inovação (Sedecti), até novembro do ano passado o País do presidente Nicolas Maduro comprou em média mais de R$ 10 milhões por mês até novembro, com destaque para produtos alimentícios. As exportações do Amazonas poderiam aumentar significativamente, até dobrar conforme especialistas, se o intercâmbio entre os dois países fosse normalizado.
Um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), dos pesquisadores Pedro Silva Barros, Raphael Padula e Luciano Severo, apontam que há um grande potencial comercial entre os dois Países no que eles chamaram de Eixo Amazônico – Orinoco. E novamente fica em destaque as exportações de produtos industriais do Amazonas.
“O maior potencial está no desenvolvimento da faixa petrolífera do Orinoco articulado com a Zona Franca de Manaus, especialmente com seu Polo Industrial, que concentra cerca de 450
indústrias, muitas delas de alta tecnologia”, escreveram os pesquisadores do Ipea.
O mesmo estudo aponta que a Venezuela tem grande potencial para ofertar fertilizantes para o agronegócio brasileiro, principalmente fosfato e uréia. A importação destes produtos, via rodovia BR-174, e a provável exploração do potássio de Autazes faria do Amazonas um importante fornecedor de insumos para o agronegócio das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste.
“A título de exemplo, o Brasil importa US$ 4,9 bilhões em fertilizantes, principalmente de Marrocos, Egito, Ucrânia e Rússia, e apenas US$ 8 milhões da Venezuela, país com grandes reservas de fosfato e produção de ureia de menor custo das Américas”, escrevem os pesquisadores do Ipea.
Exportações do Amazonas x turismo
Além de ser um potencial mercado consumidor para as exportações do Amazonas, há também grande potencial no turismo bilateral, com amazonenses tendo interesse pelas praias caribenhas da Venezuela e eles interesse na pesca esportiva em rios do Estado.
“Fizemos muitas excursões para turismo de compras em Santa Elena do Uairén e lazer em Margarita, mas hoje está tudo acabado. Em Santa Elena, só vale comprar produtos de plásticos, como geleiras, cadeiras e mesas plásticas”, diz a agente de turismo Maria José Oliveira, que conhece a região deste os tempos áureos do turismo entre os dois países.
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