Manaus voltou a apresentar crescimento na quantidade de pessoas em situação de rua. O número é o pior desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. Só no ano passado, foram identificadas 466 pessoas enfrentando essa realidade na capital amazonense.
Depois do resultado explosivo, em 2020, o primeiro ano da pandemia de Covid-19, é a maior quantidade de pessoas nessas condições, em Manaus. Só em relação ao ano passado, mais que triplicou a quantidade de cidadãos vivendo ao relento.
Os dados são da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania de Manaus (Semasc), que realizou, semana passada, juntamente com outros órgãos do Estado, um mutirão de atendimentos nas áreas de saúde e cidadania com pessoas em situação de rua que estão no entorno da rodoviária de Manaus.
Dados de pessoas em situação de rua em Manaus
| ANO | NÚMERO DE PESSOAS |
| 2018 | 354 |
| 2019 | 275 |
| 2020 | 532 |
| 2021 | 151 |
| 2022 | 466 |
Ação para atender pessoas em situação de rua
As equipes responsáveis pelos atendimentos identificaram as pessoas, maioria venezuelanos recém-chegados na capital. Eles foram entrevistados pelas equipes com o objetivo de identificar a necessidade de cada um, para que também fossem para encaminhadas a abrigos, caso aceitassem. Ao todo, foram atendidas 25 pessoas, entre indígenas, colombianos, venezuelanos e brasileiros, com idades entre 8 e 60 anos.
A secretária executiva de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Gabriella Campezatto, explicou que, para esta primeira abordagem, as equipes multidisciplinares foram divididas para que a sensibilização fosse a mais humanizada possível.
“Aqui no perímetro da rodoviária, nós encontramos brasileiros em situação de vulnerabilidade e pessoas de outras nacionalidades. Temos uma gerência voltada para a população em situação de rua e a gerência para migrantes e refugiados, então, fazemos essa junção desses dois trabalhos e verificamos os pontos do Estado onde temos essas demandas, a partir daí damos os encaminhamentos.”
A médica da Semsa Manaus, Layla Müller, que atua no atendimento de saúde da população de rua também participou da ação. Ela ressaltou que, devido à época de gripe, muitos estão com problemas de via aérea respiratória. Foram identificados um provável caso de câncer, quadro de sequelas de AVCs e de gravidez de risco, que não estão sendo acompanhados, além de infecções de pele.
“Os quadros mais leves a gente encaminha para a unidade mais próxima, os quadros mais graves e crônicos já estamos tentando encaminhar para abrigos para podermos fazer um atendimento mais próximo, aí depois a gente já dá prosseguimento ao tratamento deles.”
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