quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Produção industrial em alta esconde situação frágil dos trabalhadores

Enquanto segmento patronal está em festa, IBGE mostra que o trabalhador está tendo que se virar para pagar as contas.
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Trabalhador produz bens de informática em indústria do Amazonas
O segmento de bens de informática puxou o faturamento das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) até novembro de 2024. (Arquivo)

A produção industrial no Amazonas registrou no primeiro trimestre números expressivos de crescimento, mas isso não se traduziu em maior número de contratações de trabalhadores.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de subutilização da força de trabalho no primeiro trimestre foi de 22,5%. Ao passo que a produção registrou um incremento de 14,8%. No acumulado de 12 meses, o crescimento também foi expressivo: 7,5%.

Enquanto a situação do segmento patronal é de festa contínua, o IBGE mostra que o trabalhador está tendo que se virar para pagar as contas do dia a dia.

Outro indicativo que sinaliza isso é o total da população vivendo na informalidade: 57,2%, o segundo pior Estado nesta categoria, atrás apenas do Pará, que registrou 59,6%. A média nacional é de 39%.

A Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar também mostra que 32,3% da população do Estado vive “por conta própria”, um número acima da média nacional (25,8%).

O enfraquecimento dos trabalhadores foi captado ainda pela taxa de desocupação, que saltou de 10%, no último trimestre do ano passado, para 10,5% neste ano.

“Há um maior nível de automação na produção do Estado, embora o distrito tenha batido recorde de empregabilidade no ano passado, mas o que está influindo nestes números é a reforma trabalhista de 2017, que liberou os serviços terceirizados e criou a figura do horista”, explica o economista Sérgio Gonçalves.

Produção industrial x informalidade MEI

O economista propõe até uma nova forma de pesquisar estes números para aferir o que realmente está ocorrendo no que antigamente se chamava mercado de trabalho.

“A produção industrial hoje envolve muitos trabalhadores terceirizados que são MEI”, afirma.

O impacto deste tipo de prestação de serviço ficou evidente na parte da PNDA que mostra a quantidade de pessoas vivendo por conta própria.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no ano passado foram criados 3,6 milhões de novos empreendimentos. Deste total, 78% eram MEIs.

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